Multinacional alemã na lista de "bons exemplos" dos comunistas

O quarto dia de campanha de Edgar Silva foi dedicado aos trabalhadores

"Quando há investimento tecnológico, se valoriza os trabalhadores através da negociação e aumentos salariais, a produtividade aumenta. Esta indústria é disso exemplo ", afirmava, à porta da Continental Mabor, uma multinacional alemã, em Vila Nova de Famalicão, Joaquim Daniel, sindicalista, mandatário de Braga de Edgar Silva e trabalhador daquela unidade de produção de pneus. "É bom trabalhar aqui, todos os anos temos aumentos", reconheceu. Este foi um dos casos escolhido esta quarta-feira pelo candidato comunista para a sua campanha, num dia dedicado ao "trabalho e à valorização dos trabalhadores".

Enquanto em Lisboa os sindicatos da Função Pública confirmavam ao ministro das Finanças um pré-aviso de greve, em defesa da aplicação imediata das 35 horas semanais de trabalho (o PS propõe a partir de julho), a norte Edgar Silva colocava-se estrategicamente à porta de fábricas, a tentar explicar-lhes a importância de lutar pelos seus direitos. Por isso, quis mostrar cenários distintos.

Os positivos, como o da Mabor e de outra unidade, a Sakhti, "exemplos em que o diálogo entre as administrações e os trabalhadores têm efeitos positivos" na desenvolvimento das empresas. "A defesa do trabalho e dos direitos dos trabalhadores como motor de desenvolvimento do país não é apenas uma nota de rodapé nesta candidatura, é um vetor fundamental", sublinhou.

O caso "mau, ilustrativo da "precariedade" e das "dificílimas condições de trabalho" foi a Fito-cables, na Maia, uma unidade de fabrico de cabos de aço. "As mulheres aqui trabalham oito horas seguidas, a maioria sempre de pé, apenas com 15 minutos para uma 'bucha'. O ordenado médio é cerca de 580 euros", explica Luís Pinto, coordenador do Sindicato das Indústrias de Transformação. Energia e Ambiente (Site-Norte), afeto à CGTP.

A unidade tem 800 trabalhadores, dos quais cerca de 700 são mulheres. Apenas pouco mais de 200 são sindicalizados. "O nosso trabalho tem sido muito dificultado aqui", reconhece Luís Pinto. Uma das mulheres que saiu vem ter connosco, diz-nos o seu nome e pede para não divulgarmos. Tem perto de 50 anos e trabalha todo o dia de pé. Tem tendinites e muitos problemas de costas, o que é "normal em todas" as operárias, diz-nos. "Uma vez fui a um ortopedista que, depois da consulta me disse, a abanar a cabeça, 'nem a um cão se obriga a estar oito horas de pé. Se calhar é isso que pensam que somos. Quando perguntamos se é sindicalizada ou se já se juntou a algum protesto, afirma, encolhendo os ombros: "é a vida! A gente já está calejada!".

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