Marcelo louva espírito ecuménico de Portugal

Mesquita central de Lisboa enfeitou-se com as cores de 18 religiões (Notícia atualizada)

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, louvou hoje o "espírito ecuménico" de Portugal, ao qual o país "deve muito da sua grandeza secular", na cerimónia inter-religiosa realizada na Mesquita Central de Lisboa.

Cerca de seis horas após tomar posse e prometer ser "de todos os portugueses sem exceção", o antigo presidente do PSD, professor de Direito e comentador televisivo assegurou ir ser o "garante da liberdade religiosa, em todas as suas virtualidades".

O Presidente da República chegou à mesquita de Lisboa pouco depois da hora prevista (16:45), onde foi recebido pelo presidente da Comunidade Islâmica de Lisboa, Abdool Vakil, pelo imã da mesquita, xeque David Munir, e pelo cardeal-patriarca, Manuel Clemente.

À entrada, cumprimentou um grupo de nove crianças, de diferentes religiões, e coube a Iara, de seis anos, colocar um colar de flores a Marcelo Rebelo de Sousa. Depois, descerrou uma placa evocativa da sua visita, que ocorreu "por ocasião de um encontro inter-religioso".

"Portugal deve muita da sua grandeza secular ao seu espírito ecuménico", afirmou o 19.º Presidente da República Portuguesa, no novo salão de festas do local de culto islâmico da capital, pois o país "foi grande sempre que soube cultivar esse espírito, dentro e fora das suas fronteiras físicas" e "ficou aquém do seu desígnio nacional sempre que sacrificou a riqueza da convergência de culturas, civilizações e, naturalmente, religiões".

Segundo o Chefe de Estado, o texto fundamental do Estado português "consagra a liberdade religiosa, que supõe a liberdade de não crer, mas que, para os crentes, vai para além da mera liberdade de culto" e "implica o respeito de cada confissão na sua visão do mundo e da vida, expressa no espaço privado como no espaço público".

O Presidente da República desejou que "o espírito ecuménico" venha a "servir de exemplo para todos os domínios da vida nacional", "convidando à aceitação do outro, ao diálogo, ao entendimento, à compreensão recíproca", embora "sem negar as diferenças de princípios ou vivências" e "procurando ver para além delas, com humildade e solidariedade".

"Que o vosso exemplo frutifique na cultura, educação, apoio social, saúde, mundo laboral e empresarial, vida local e política. Porque nenhuma destas dimensões é alheia aos vossos percursos de fé", afirmou, almejando uns "próximos cinco anos sob o signo da paz, justiça e fraternidade".

Junto a Marcelo Rebelo de Sousa, no palanque em frente à plateia de mais de 150 pessoas, esteve o anfitrião e presidente da Comunidade Islâmica de Lisboa, Abdool Vakil, entre outros responsáveis de um total de 17 confissões religiosas, com o imã da Mesquita Central da capital portuguesa, David Munir, ao lado do cardeal-patriarca, Manuel Clemente.

O núncio apostólico, representante do Vaticano, o arcebispo italiano Rino Passigato, também marcou presença.

Cerimónia "sem precedentes"

A oração ecuménica universal que representantes de 17 confissões religiosas rezaram hoje, na mesquita de Lisboa, foi uma cerimónia inter-religiosa "sem precedente em Portugal", que assinalou a visita do Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa.

"Dai-nos: sabedoria para distinguir o bem do mal; compreensão para acabar com os conflitos; compaixão para apagar o ódio; perdão para superar a vingança; amor para compreender e amar o outro. Faz com que todos os povos vivam de acordo com a Tua Lei de Amor", dizia a oração ecuménica universal, que terminou com um "Ámen" coletivo e um aplauso.

Na plateia, entre cerca de 200 pessoas, encontravam-se o ex-Presidente da República Jorge Sampaio, o núncio apostólico, Rino Passigato, o ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, o presidente da Câmara de Lisboa, Fernando Medina, e a candidata à liderança do CDS-PP Assunção Cristas.

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