Marcelo quer plano B para o salário mínimo se falhar bónus da TSU

Presidente diz que descida da TSU seria sinal para "investimento". E que deseja um governo e uma oposição fortes

Marcelo Rebelo de Sousa mostrou-se ontem favorável à descida da taxa social única, uma medida acordada na concertação social como contrapartida à subida do salário mínimo para os 557 euros e que deverá ser revogada na próxima quarta-feira, no Parlamento. Marcelo mostrou-se, no entanto, confiante de que será encontrado um plano B. Ou seja, que se mantenha o "efeito útil" que se pretendia alcançar com a TSU, que salvaguarde as pequena s e médias empresas, as IPSS (instituições particulares de solidariedade social) e as Misericórdias.

Em entrevista à SIC, em vésperas do primeiro aniversário da eleição para Belém (que se cumpre amanhã), o Presidente da República afirmou que o PS se preparava para avançar, de forma unilateral, com a subida do salário mínimo para os 557 euros. "Fui daqueles que se bateram para que em vez de ser uma medida unilateral" fosse conseguido um acordo em sede de concertação social, garantiu, mas acrescentando que chegou a achar que o acordo entre os parceiros sociais era inviável. Afinal, "à última hora foi possível" e Marcelo louvou, por isso, a "boa vontade" dos cinco parceiros que assinaram o compromisso. Já quanto à posição do PSD, o Chefe do Estado sublinhou que o maior partido da oposição não estava vinculado a posição nenhuma e que é livre de votar como queira.

Num regresso às noites televisivas de domingo, naquela que foi a primeira entrevista enquanto Presidente da República, Marcelo defendeu que a baixa da TSU seria um "sinal para o investimento privado". Mais um, de vários que destacou e que se traduziram numa viragem do ambiente económico, visível desde o terceiro trimestre de 2016 - "mérito dos portugueses, do governo e também do Presidente, modestamente". "Admito que o crescimento fique acima dos 1,2%. E que o défice possa ser de 2,2%", anunciou . Diria mais tarde, questionado sobre se o modelo económico seguido pelo governo é o mais correto: "Vale a pena ter os números de 2016 fechados para vermos se o caminho alternativo deste governo correspondeu às expectativas ou não."

Já há reestruturação da dívida

Na entrevista, conduzida pelos jornalistas Ricardo Costa e Bernardo Ferrão, Marcelo reiterou que é preciso mais crescimento ("as últimas previsões são já de 1,7%, mas é preciso mais"), como é preciso aumentar a poupança. Questionado sobre o peso da dívida, sublinhou que tem havido (começou já com o "governo anterior") rotação de dívida, com substituição do curto prazo pelo longo prazo. "Isto é reestruturação da dívida", sublinhou Marcelo, que se definiu como um "otimista realista".

Governo e oposição fortes

Para Marcelo é muito importante que o governo "seja forte, o mais forte possível", com uma solução governativa que é "complicada e inédita". O mesmo é válido para a oposição. "O ideal era que o governo durasse uma legislatura e que as lideranças da oposição durassem uma legislatura."» Porquê? Porque é necessário que haja "alternativa".

Já sobre a banca, o Presidente considera que o panorama está agora menos carregado - "houve semanas na primavera em que olhava e não via um problema na banca que estivesse resolvido"- com o processo de recapitalização a avançar na Caixa Geral de Depósitos. "Não foi considerado ajuda de Estado, era impensável. Foi ultrapassado." Quanto ao Novo Banco, disse concordar com os quatro pilares definidos pelo governo: não se pode partir o banco; não se pode estragar a saída do procedimento por défice excessivo; a solução encontrada tem de ser aceite pelo Banco Central Europeu; e deve sacrificar o menos possível os outros bancos. Dentro destas condicionantes "há vários caminhos possíveis".

Questionado sobre Ricardo Salgado, Marcelo afirmou-se confortável com a amizade com o antigo homem forte do Banco Espírito Santo, agora arguido por suspeita de corrupção, tráfico de influência, branqueamento e fraude fiscal no âmbito da Operação Marquês.

"Soares era mais hiperativo"

E a hiperatividade que todos lhe reconhecem? Não corre o risco de que as pessoas se cansem de si? Até agora não aconteceu, sublinhou, destacando que "foi muito importante intervir muito" neste primeiro ano de mandato, para dissuadir conflitos. "As pessoas são como são. Mário Soares era mais hiperativo do que eu", responde Marcelo, acrescentando que o tempo político é hoje "muito acelerado" e que nomes como Obama ou Merkel falam todos os dias. E Marcelo garante que continua a ter vida para além do Palácio de Belém: "Então não tenho? Ainda ontem fui levar os meus netos ao aeroporto."

Sobre a eventual candidatura a um segundo mandato, Marcelo Rebelo de Sousa atirou a resposta para setembro de... 2020, quando convocar as eleições presidenciais que se realizarão em janeiro do ano seguinte.

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