Marcelo promulga Orçamento esta segunda-feira e fala ao país

Presidente da República evita que o documento seja publicado em Diário da República no dia das mentiras (1 de abril)

Está confirmado, Marcelo Rebelo de Sousa vai promulgar o Orçamento do Estado para 2016 esta segunda-feira e depois falará aos portugueses para explicar as razões da sua decisão. A notícia foi confirmada ao DN pela presidência, depois de Marques Mendes o anunciar na noite de domingo, no seu programa semanal na SIC.

Marcelo Rebelo de Sousa falará depois aos portugueses para explicar as razões da sua decisão.

Marques Mendes disse ainda que o Presidente da República está a "ter um início de mandato absolutamente marcante", devido à "proximidade das pessoas", por ser "interventivo" (em áreas como a banca ou a educação" e "surpreendente" por ter convido Mario Draghi.

Para Marques Mendes este início fulgurante de Marcelo está a criar "ciúmes à direita e desconfianças à esquerda". Os "ciúmes no PSD" acontecem por o Presidente estar "alegadamente a dar a mão ao governo", já as "desconfianças em certos setores do PS e na extrema-esquerda", dão-se por desconfiarem de que "tanto protagonismo do Presidente" possa "ofuscar o protagonismo do governo".

Quanto ao convite a Mario Draghi, presidente do Banco Central Europeu, para participar na primeira reunião do Conselho de Estado, Marques Mendes considera "muito positivo", já que o italiano é "o responsável europeu com mais força e mais prestígio", além de ser aquele que "mais tem ajudado a manter sob controle os juros da nossa dívida."

Passos a prazo?

A menos de uma semana do Congresso do PSD que vai consagrar Passos Coelho como líder nos próximos dois anos, Marques Mendes levantou dúvidas sobre se Passos será um "líder transitório ou definitivo". Marques Mendes considerou mesmo que Pedro Passos Coelho "está numa encruzilhada", uma vez que "acabou de ser eleito, mas já muita gente - dentro e fora do PSD - que fala no pós-Passos" e "no senhor que se segue".

Para o comentador televisivo, Passos Coelho "corre o sério risco de ser queimado em lume brando: está eleito, ninguém oficialmente o desafia, mas todos os dias o desgastam. Assim, será sempre um líder enfraquecido, um líder transitório."

Além disso, Marques Mendes ainda identifica um outro problema: a estratégia do PSD "não gera esperança". Isto porque a "estratégia de nada fazer e esperar que o Governo caia tem um problema sério para Passos Coelho - dá a ideia, ainda que injusta, de que o PSD deseja que as coisas corram mal para voltar ao poder e aplicar uma nova austeridade. Isto não dá esperança a ninguém."

Marques Mendes adverte que nos últimos seis meses - desde as eleições de outubro, "o PSD não teve uma iniciativa nova, uma ideia nova, uma proposta nova." Para o antigo líder, o partido precisa de "mudar de vida, de virar a página, de ter uma agenda nova, uma equipa nova e precisa de agir."

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