Mais duas demissões de dirigentes no SEF

O coordenador do Gabinete de Inspeção do SEF e a oficial de ligação no Ponto Único de Contacto para a Cooperação Policial Internacional demitiram-se, logo a seguir à diretora nacional

Dois dirigentes do SEF pediram também a sua demissão, na sequência da saída da ex-diretora nacional Luísa Maia Gonçalves, além dos dois diretores nacionais adjuntos, Joaquim Pedro Oliveira e Paulo Nicolau que quiseram também sair da liderança desta polícia. Poucos dias depois de Maia Gonçalves ter batido com a porta - em assumido conflito com a gestão política de Constança Urbano de Sousa em relação ao SEF - outros dois dirigentes pediram para deixar as funções: o coordenador do Gabinete de Inspeção do SEF, o coronel do Exército Rui Baleizão, e Amélia Paulos, uma inspetora coordenadora superiora, ex-diretora regional do Norte, que foi a representante do SEF no MAI no período de avaliação Shengen (2016/2017) e tinha sido designada, há um mês, por Luísa Maia Gonçalves, para ser a oficial de ligação desta polícia no Gabinete de Gestão do Ponto Único de Contacto para a Cooperação Policial Internacional (PUC-CPI).

Amélia Paulos, que o DN não conseguiu contactar, e Rui Baleizão demitiram-se logo a seguir a tomarem conhecimento da demissão da ex-diretora. O militar, naquele cargo desde 2013, não quis aprofundar ao DN as razões da sua demissão, nem admitir críticas à ex-ministra, mas não escondeu o seu apoio a Luísa Maia Gonçalves. "Estive e estou solidário com as decisões tomadas pela direção anterior, até porque contribuí com alguns pareceres. Mas considero que está na altura de sair. Já trabalhei com três diretores, iria agora para o quarto, e penso que fiz um bom trabalho com todos.", afirmou.

Posse às escondidas

A polémica continua a marcar o SEF e o último episódio teve lugar esta quarta-feira, protagonizado pela demissionária ministra da Administração Interna. Conforme o DN noticiou ontem, o novo diretor do SEF tomou posse numa "cerimónia" privada no gabinete de Constança Urbano de Sousa, já depois da governante ter anunciado a sua demissão. Quebrando as regras de protocolo que mandam que as tomadas de posse sejam cerimónias públicas, Constança Urbano de Sousa quis dar posse a Carlos Moreira, de quem é próximo desde que trabalharam juntos da Representação Permanente de Portugal, em Bruxelas, antes de deixar o ministério da Administração Interna.

O DN contactou vários dirigentes do SEF que desconheciam a situação e mostraram alguma incredulidade em relação à tomada de posse "as escondidas". O presidente do Sindicato da Carreira de Inspeção e Fiscalização do SEF, Acácio Pereira, não escondeu a surpresa quando contactado pelo DN. "A informação que tínhamos é que a tomada de posse seria esta quinta-feira", afirma. O dirigente sindical lamenta a situação, não esconde o "incómodo", mas não quis fazer outros comentários.

O ministério da Administração Interna (MAI) justifica a não divulgação da tomada de posse - que é por norma um ato público com a presença de funcionários e dirigentes dos organismos tutelados - pelo facto do país de encontrar em "luto nacional". Este acto tinha estado marcado para segunda-feira passada, mas devido aos incêndios foi adiado.

O gabinete da governante, refuta que tenha havido irregularidade no procedimento, sublinhando que no momento da tomada de posse a ministra "ainda estava em funções". "A exoneração foi publicada em DR, ao início da noite, ao mesmo tempo que foi publicada a nomeação do novo Ministro da Administração Interna (Eduardo Cabrita).

Mais Notícias

Outros conteúdos GMG