Investimento de 30 milhões de euros dá 14 novos centros de saúde a Lisboa

Novos espaços para substituir prédios de habitação vão abranger 305 mil utentes. Câmara Municipal de Lisboa avança com o investimento

Lisboa vai ter novos 14 centros de saúde que vão acolher unidades que atualmente funcionam em edifícios de habitação, com piores condições de acesso, elevadores mais apertados, alguns sem espaço para acolher novas valências como análises ou raio-X, e três para novas unidades. Um investimento que ronda os 30 milhões de euros em terrenos, projetos, construção e equipamento que vão beneficiar mais de 305 mil utentes. Um plano para três a cinco anos que arranca oficialmente hoje com a assinatura do protocolo entre a Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo (ARSLVT) e Câmara Municipal de Lisboa (CML).

É o maior pacote de construção de centros de saúde assinado com uma só autarquia. "É um número significativo. A grande maioria destas unidades funciona em prédios de habitação, com pouca acessibilidade, instalações que não estão adaptadas às necessidades dos centros de saúde modernos. Têm escadarias, elevadores estreitos, salas de espera pequenas", diz ao DN Rosa Matos, presidente da ARSLVT, referindo que o objetivo é tornar a saúde mais acessível e com mais capacidade de resposta aos utentes.

"Queremos centros de saúde informatizados, abertos a novas tecnologias, com raio-X, práticas de fisioterapia, análises, médicos dentistas. Nada disto seria possível nestes edifícios. Queremos centros de saúde com uma organização mais aberta, em parceria com os hospitais, autarquias, que façam parte do dia a dia da população", acrescenta a responsável, referindo que ainda não estão definidos quais terão valências adicionais.

Dos 14 novos centros, 11 são para substituir prédios de habitação e três (Telheiras, Parque das Nações e Restelo) são para novas unidades. São 305 900 utentes abrangidos. O protocolo assinado com a câmara é para 2017/2020, mas que em alguns casos poderá ser estendido até 2022. O calendário das obras ainda não está fechado, mas os centros de saúde que agora funcionam em piores condições serão os primeiros a ter um novo espaço.

A estimativa de investimento ronda os 30 milhões de euros, dinheiro que a autarquia de Lisboa avança. "Este projeto só é possível porque a câmara avança com o investimento para a construção [20 a 22 milhões de euros com equipamento], terrenos e projetos de construção. Em património, arruamentos, água, esgotos estimamos que sejam quase 9 milhões de euros. Os contratos serão assinados caso a caso, onde serão definidos os modelos de compensação para a construção", explica João Afonso, vereador dos direitos sociais da CML.

Com a medida, a CML quer acabar com as barreiras que existem no acesso à saúde. "Em Lisboa, da população com mais de 50 anos, 20% diz ter algum tipo de incapacidade e mais de 50% admite ter dificuldade em subir degraus. Todos os centros de saúde em prédios, por mais inovador que se seja, há sempre patamares e degraus. Há um esforço para a relocalização dos centros para zonas mais centrais, conjugando com transportes. Este é um investimento absolutamente necessário", referindo que estão criadas todas as condições "para o próximo executivo avançar com os projetos".

O centro de saúde das Mónicas, onde trabalham 20 profissionais, vai mudar para o Mercado de Sapadores. Tem 13 500 utentes, dos quais 3 mil não têm médico de família. "Temos r/c e primeiro andar. Há cinco anos foram feitas obras e foi montado um elevador que resolveu os problemas que tínhamos antes. Espaço está funcional e utentes e profissionais estão satisfeitos", diz o coordenador do centro João Ricardo Brito, referindo que se fosse preciso ter raio-X já não haveria espaço. É a melhoria de serviços e de acessibilidade que leva à mudança desta unidade, diz o vereador da CML.

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