"Temos de ter resposta para os idosos vítimas de violência"

Isabel Dias é professora na Faculdade de Letras da Universidade do Porto

Afirma, no projeto HARMED, Abuso de idosos: determinantes sociais, económicas e de saúde, que estes são mais vulneráveis à violência e a maus-tratos, porquê?

Estamos a falar de pessoas com baixo grau de autonomia, que estão dependentes da prestação de cuidados de terceiros, cuidadores familiares ou cuidados formais, e que estão mais vulneráveis. Não quero com isto dizer que existe uma relação direta entre dependência e vulnerabilidade, mas é um fator de risco.

Em que contexto é mais provável acontecerem esses abusos?

O abuso pode acontecer em contexto familiar ou institucional. Em contexto institucional, nos lares, a questão é ainda mais problemática porque o abuso é perpetrado por pessoas que são pagas para prestar cuidados ao contrário do que acontece na família. Na família, a prestação de cuidados pode causar um certo stress do cuidador que vê essa prestação como um fardo, uma sobrecarga. Mas nos lares, quando não há uma supervisão das instituições, é maior a exposição a abusos. Há, ainda, outra questão: muitas vezes os idosos não têm a consciência de que aquela má prática configura uma situação de abuso.

Deveria haver legislação que visasse apenas os idosos?

Sim. A lei cobre todo o tipo o tipo de vítimas mas temos um paradigma muito voltado para a violência de género. As estatísticas justificam isso, não estou a dizer que não. Agora é importante não perdermos o foco em algumas categorias sociais específicas como as crianças e os idosos. Neste momento, temos um conjunto de medidas muito voltadas para apoiar as mulheres vítimas, que são muito importantes, mas temos igualmente que ter respostas sociais para os idosos que são vítimas de violência em contexto familiar ou institucional. Há que desenvolver campanhas de sensibilização sobre os maus-tratos e negligência contra idosos.

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