Rio pede a Hugo Soares para se manter a prazo até ao congresso

O líder eleito do PSD reuniu-se hoje com o presidente do grupo parlamentar social-democrata, no Porto.

No encontro que manteve com o líder da bancada social-democrata, Rui Rio disse querer manter a "estabilidade e a capacidade de intervenção do grupo parlamentar" até ao congresso de 15, 16 e 17 de fevereiro. Só depois o presidente eleito do partido decidirá da liderança da bancada.

Apesar de não se comprometer com a solução futura para a liderança do grupo parlamentar, Rui Rio dá assim sinais de que quererá um novo ciclo pós-congresso, já com outro rosto a liderar os deputados sociais.-democratas.

"E também porque até lá o líder do partido é, por direito próprio, Pedro Passos Coelho, Rui Rio entende que a atual direção da bancada se deve manter na plenitude das suas funções até ao próximo Congresso Nacional, remetendo-se apenas para essa altura a necessária análise política da questão" - afirma Rio em comunicado enviado às redações.

No mesmo documento, refere que o presidente do grupo parlamentar "mostrou-se concordante" com os objetivos do novo líder social-democrata, que quer "evitar qualquer foco de agitação, decorrente do período de transição de liderança".

Na quinta-feira, Rui Rio encontrou-se com o ainda presidente do PSD, Pedro Passos Coelho, na sede do partido, em Lisboa, e, aos jornalistas, falou da existência de "alguma turbulência" após a sua eleição enquanto líder dos sociais-democratas, com 54.1% dos votos.

Questionado se tem sentido unidade, Rui Rio respondeu: "Alguma turbulência, mas a gente vai resolver essa pequena turbulência, não sei se a turbulência é real ou é mais na comunicação social".

O futuro da liderança parlamentar do PSD tem estado no centro do debate interno no partido desde que Rui Rio venceu as eleições, em 13 de janeiro, com os ex-líderes Marques Mendes e Manuela Ferreira Leite a defenderem que Hugo Soares, que apoiou Pedro Santana Lopes, deveria colocar o lugar à disposição.

Entre os vice-presidentes da bancada, sete dos doze deputados apoiaram Pedro Santana Lopes na disputa interna do PSD.

Em entrevista à Antena 1 no início de dezembro, questionado se as eleições internas poderiam ter implicações na direção da bancada, Hugo Soares sublinhou que o seu mandato é de dois anos e que "quem elege a liderança do grupo parlamentar são os deputados".

No entanto, na mesma entrevista, acrescentou que não há lideranças parlamentares contra "a vontade determinada do presidente do partido", sobretudo se as linhas de orientação da futura comissão política forem "completamente antagónicas" com as da direção da bancada.

Hugo Soares foi eleito em 19 de julho do ano passado, para um mandato de dois anos, com 85,4% de votos, correspondentes a 76 votos favoráveis, 12 votos brancos e um nulo, sucedendo no cargo a Luís Montenegro, que atingiu o limite de três mandatos consecutivos.

Depois do anúncio de Passos Coelho de não se recandidatar à presidência do partido, em outubro passado, Hugo Soares tem assumido o protagonismo pelo PSD nos debates quinzenais com o primeiro-ministro, António Costa.

Com Lusa

Ler mais

Premium

Rosália Amorim

"Sem emoção não há uma boa relação"

A frase calorosa é do primeiro-ministro António Costa, na visita oficial a Angola. Foi recebido com pompa e circunstância, por oito ministros e pelo governador do banco central e com honras de parada militar. Em África a simbologia desta grande receção foi marcante e é verdadeiramente importante. Angola demonstrou, para dentro e para fora, que Portugal continua a ser um parceiro importante. Ontem, o encontro previsto com João Lourenço foi igualmente simbólico e relevante para o futuro desta aliança estratégica.

Premium

João Gobern

Tirar a nódoa

São poucas as "fugas", poucos os desvios à honestidade intelectual que irritem mais do que a apropriação do alheio em conluio com a apresentação do mesmo com outra "assinatura". É vulgarmente referido como plágio e, em muitos casos, serve para disfarçar a preguiça, para fintar a falta de inspiração (ou "bloqueio", se preferirem), para funcionar como via rápida para um destino em que parece não importar o património alheio. No meio jornalístico, tive a sorte de me deparar com poucos casos dessa prática repulsiva - e alguns deles até apresentavam atenuantes profundas. Mas também tive o azar de me cruzar, por alguns meses, tempo ainda assim demasiado, com um diretor que tinha amealhado créditos ao publicar como sua uma tese universitária, revertido para (longo) artigo de jornal. A tese e a história "passaram", o diretor foi ficando. Até hoje, porque muitos desconhecem essa nódoa e outros preferiram olhar para o lado enquanto o promoviam.