Requalificação da 2.ª Circular só avança com "projeto mais vasto"

Em setembro de 2016, a Câmara de Lisboa anulou o concurso da Segunda Circular e abriu um inquérito para averiguar eventuais conflitos de interesses

O presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Fernando Medina (PS), afirmou na terça-feira que a grande intervenção na Segunda Circular só vai avançar quando o município tiver "condições para um projeto mais vasto".

"Depois de termos de tomar a decisão sobre o projeto da Segunda Circular, eu anunciei que íamos fazer um conjunto de intervenções de urgência sobre os pontos críticos", começou por dizer o socialista aos deputados da Assembleia Municipal de Lisboa.

Segundo o presidente da autarquia, "essas intervenções de urgência foram feitas, estão listadas, estão identificadas e quantificadas".

"E iremos continuar a fazer, até ao momento em que a câmara apresente, aprove e tenha condições para avançar com um projeto mais vasto relativamente à Segunda Circular", precisou o autarca.

Medina foi questionado sobre a obra da Segunda Circular pelo deputado do PSD António Prôa (que foi vereador social-democrata no último mandato), durante o período destinado à informação escrita do presidente.

O social-democrata disse ter estranhado que o documento não referisse Segunda Circular e que o orçamento municipal em vigor também não. "O presidente teimou que a obra era urgente", afirmou Prôa, salientando que "passadas as eleições não há obra e passadas as eleições não há orçamento que as preveja". Assim, o eleito questionou Medina sobre se "a obra deixou de ser urgente ou se a Câmara mudou de ideias".

Em resposta, o presidente da câmara apontou que o deputado "está ansioso por uma nova polémica". "Cá estaremos prontos para isso", acrescentou.

Em setembro de 2016, a Câmara de Lisboa anulou o concurso da Segunda Circular e abriu um inquérito para averiguar eventuais conflitos de interesses, detetados pelo júri do procedimento, por parte de um projetista que também comercializa a mistura betuminosa que iria ser usada no piso (RAR).

Entretanto, uma auditoria interna admitiu que o projetista poderá ter prejudicado as empresas concorrentes devido à forma como prestou esclarecimentos, tendo sempre como referência esse produto que comercializa.

Esta conclusão levou o presidente da Câmara de Lisboa a pedir ao Ministério Público para analisar o caso.

Orçada em mais de 10 milhões de euros, a empreitada visava melhorar a fluidez do tráfego e conferir mais segurança.

Ainda em resposta ao PSD na reunião plenária da Assembleia Municipal, Fernando Medina afirmou que a requalificação da Praça de Espanha "vai ser das intervenções mais importantes de espaço público deste mandato".

Esta zona terá "um jardim que será cerca o dobro em área do que é o Jardim da Estrela", salientou.

Ler mais

Exclusivos

Premium

Henrique Burnay

Discretamente, sem ninguém ver

Enquanto nos Estados Unidos se discute se o candidato a juiz do Supremo Tribunal de Justiça americano tentou, ou não, há 36 anos abusar, ou mesmo violar, uma colega (quando tinham 17 e 15 anos), para além de tudo o que Kavanauhg pensa, pensou, já disse ou escreveu sobre o que quer que seja, em Portugal ninguém desconfia quem seja, o que pensa ou o que pretende fazer a senhora nomeada procuradora-geral da República, na noite de quinta-feira passada. Enquanto lá se esmiúça, por cá elogia-se (quem elogia) que o primeiro-ministro e o Presidente da República tenham muito discretamente combinado entre si e apanhado toda a gente de surpresa. Aliás, o apanhar toda a gente de surpresa deu, até, direito a que se recordasse como havia aqui genialidade tática. E os jornais que garantiram ter boas fontes a informar que ia ser outra coisa pedem desculpa mas não dizem se enganaram ou foram enganados. A diferença entre lá e cá é monumental.

Premium

Ruy Castro

À falta do Nobel, o Ig Nobel

Uma das frustrações brasileiras históricas é a de que, até hoje, o Brasil não ganhou um Prémio Nobel. Não por falta de quem o merecesse - se fizesse direitinho o seu dever de casa, a Academia Sueca, que distribui o prémio desde 1901, teria descoberto qualidades no nosso Alberto Santos-Dumont, que foi o verdadeiro inventor do avião, em João Guimarães Rosa, autor do romance Grande Sertão: Veredas, escrito num misto de português e sânscrito arcaico, e, naturalmente, no querido Garrincha, nem que tivessem de providenciar uma categoria especial para ele.