PS considera "ridículo" comparar situações de Maria Luís e Carlos César

Socialistas negam interferências do ex-presidente do governo regional nos contratos firmados por ajuste direto entre a Globestar, empresa de que foi consultor, e entidades públicas açorianas

O PS considera incomparáveis os casos de Maria Luís Albuquerque, contratada esta semana para administradora não executiva da Arrow Global, e de Carlos César, que foi consultor da Globestar mais de um ano depois de deixar o governo regional dos Açores. Num esclarecimento escrito enviado ao DN - na sequência de uma notícia publicada na edição impressa deste sábado de que aquela sociedade ganhou negócios por ajuste direto com entidades públicas do arquipélago -, os socialistas começam por frisar isso mesmo: "É simplesmente ridículo comparar a situação profissional que Carlos César teve com a situação da ministra cessante das Finanças."

No documento remetido pelo gabinete de imprensa do PS, é sublinhado que, "depois de sair do governo regional, onde esteve 16 anos, o antigo presidente recusou ofertas de trabalho de pelo menos duas empresas privadas regionais com as quais o governo tinha desenvolvido relações de proximidade" e ainda que Carlos César - cujo último mandato no executivo regional terminou em outubro de 2012 - não teve funções que se reportassem à atividade da Globestar (onde esteve entre janeiro de 2014 e junho do ano passado) no arquipélago.

"A relação profissional que manteve no período indicado não tem, evidentemente, qualquer relação com os reduzidíssimos negócios da empresa nos Açores, nos quais evidentemente não interferiu nem tinha que interferir, nem representou alguma vez qualquer conflito de interesses", pode ler-se no documento, que explica igualmente que a Globestar é "propriedade e gerida por um açoriano [David Tavares] residente no Canadá, presente em países de vários continentes com negócios de milhões de dólares" e "tem cerca de 40 funcionários jovens qualificados nos Açores que monitorizam aplicações da empresa fora do arquipélago".

Enquanto foi presidente do governo regional, prosseguem os socialistas, "a Globestar teve apenas um contrato de 57 mil euros com uma empresa pública, a Saudaçor, em fevereiro de 2011, relativa à aquisição de uma plataforma de comunicações Connexall e, um ano antes, para a instalação de um sistema integrado de comunicações e gestão com o Serviço Regional de Protecção Civil num valor de cerca de 70 mil Euros", tal como o DN escreveu e pode ser confirmado no portal Base, onde figuram os contratos que são assinados pelas entidades públicas.

"A generalidade das empresas tem relações com as administrações, incentivos ou negócios. É importante e inevitável num meio como os Açores", rematam os socialistas para colocar um ponto final numa controvérsia que o próprio César afastou, na véspera, no Parlamento.

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