Os jovens à espera do Presidente "que melhor representa Portugal"

Marcelo Rebelo de Sousa vai encontrar-se amanhã com jovens portugueses que vivem em Espanha e o DN foi perceber o que alguns deles vão perguntar ao Presidente da República.

Um homem sensível, humano, espontâneo, próximo do povo e que representa muito bem Portugal. É assim que muitos jovens portugueses a viver em Madrid veem o Presidente da República, na véspera de um encontro entre o professor Marcelo, em visita de Estado ao país vizinho, e uma representação destes jovens, que se realiza amanhã na capital espanhola.

"Não me surpreende este encontro, o Presidente gosta de estar com os jovens, está acostumado. É uma pessoa inteligente, que sabe perceber o que pensamos", afirma ao DN Nuno Caetano, 29 anos, há dois anos e meio a viver e a trabalhar em Madrid, na empresa Monex Europe. "É sem dúvida uma pessoa carismática, com ele não há formalismos", acrescenta. Nuno, lisboeta, destaca o trabalho feito pelo chefe do Estado para "aproximar a instituição ao povo" e ressalta nele a sua inteligência e o fato de ser "um excelente comunicador". Graças à sua figura, considera, é fácil atrair eventos que ajudam "no desenvolvimento do país". E se for possível, vai tentar saber manhã da boca do próprio presidente se Marcelo Rebelo de Sousa se apresentará para um segundo mandato e como trabalham em conjunto Portugal e Espanha.

Na casa de Susana Almeida, engenheira, há três anos a trabalhar em Espanha, o tema de conversa aos domingos, entre os comentários do professor - que considerava sempre "muito interessantes" -, era tentar perceber como Marcelo era capaz de ler tantos livros numa semana. Natural de Mira de Aire (Leiria), trabalhou primeiro em Saragoça, antes de se juntar à equipa da Bosch Madrid há um ano. "Temos um presidente da República muito acarinhado por todos, simpático e aberto, todos gostam dele", conta ao DN. Acredita que este encontro vai ser importante para ele conhecer jovens qualificados que vivem em Espanha "onde encontramos melhores condições laborais". Considera que a exploração laboral é alta em Portugal, "exige-se muito e paga-se mal", e os jovens portugueses muitas vezes encontram fora do país oportunidades melhores.

Jeni Mateus, 23 anos, chegou há uns meses a Madrid para fazer um Master no IED. Sente uma grande admiração pelo chefe do Estado português e elogia o seu lado mais humano, "muito perto do povo". "Não me lembro de um presidente que estivesse em todo lado a dar a cara". Não tem dúvidas quanto à boa popularidade que o professor Marcelo tem entre os jovens e tendo em conta a sua experiencia como docente, "sabe lidar muito bem as gerações mais novas". Jeni sente que muitos portugueses recém-licenciados, como ela, têm que sair do país para encontrar oportunidades laborais e continuar a sua formação. Acredita que o presidente da República está consciente disso e está a trabalhar "para nos oferecer mais emprego. Entre os muitos temas que gostava de colocar a Marcelo neste encontro, destaca-se uma pergunta: "porque podem os engenheiros assinar projetos de arquitetura em Portugal?"

Para poder realizar os estudos de Artes Cénicas, Maria da Cunha Rego, 21 anos, de Lisboa, optou por se matricular em Madrid há três anos "numa universidade mais aberta e que envolve mais áreas do que as que há em Lisboa", explica ao DN. Mostra-se contente pela visita do presidente à sua cidade de "adoção", por ser uma pessoa "espontânea, que rompe um pouco com os moldes e faz as coisas de outra forma. Portugal precisava de uma pessoa assim". Pensa que é importante este encontro. "Como professor universitário conhece bem aos jovens e quer ouvir-nos".

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