Oito projetos portugueses recebem bolsas de mais de 16 milhões

Carlos Moedas esteve ontem em Portugal na grande conferência de Inovação Social da Gulbenkian a anunciar outros apoios

Moedas realça "qualidade científica de Portugal", distinguida com financiamento no âmbito do programa de investigação e inovação da União Europeia Horizonte 2020

Mais oito projetos portugueses na área das Ciências Físicas e Engenharia, Ciências Sociais e Humanas e Ciências da Vida foram hoje reconhecidos pela sua qualidade com bolsas que somam mais de 16 milhões de euros. Um exemplo da "qualidade científica de Portugal", realçou o comissário europeu responsável por esta pasta, Carlos Moedas.

"É com grande satisfação que vejo os mais recentes resultados dos investigadores portugueses nas bolsas do Conselho Europeu de Investigação", comentou esta manhã o comissário português, sublinhando sobretudo o facto de "cinco dos oito novos investigadores portugueses que venceram agora a prestigiada bolsa Consolidator Grants serem investigadoras". Com bolsas cujo valor varia entre os 2 e os 2,5 milhões de euros, os cientistas subvencionados serão capazes de consolidar as suas equipas de investigação e desenvolver as suas ideias inovadoras.

O Conselho Europeu de Investigação anunciou esta manhã os nomes dos 329 vencedores do concurso de bolsas de consolidação de 2017, distinguindo cientistas de excelência a meio da sua carreira (com sete a 12 anos de experiência) com um total de 630 milhões de euros, dos quais mais de 16 milhões para investigadores portugueses, no âmbito do programa de investigação e inovação da União Europeia Horizonte 2020. Números que atiram a taxa de sucesso das candidaturas portuguesas para 20%, acima dos 13% da média europeia.

De acordo com o gabinete de Carlos Moedas, os projetos portugueses vencedores têm objetos de estudo tão diferentes como as bactérias resistentes a antibióticos, os mecanismos simpáticos e imunológicos subjacentes à obesidade e os circuitos cerebrais que controlam o comportamento visual e motor (em detalhe mais abaixo).

Criado há dez anos, todos os anos o Conselho Europeu de Investigação seleciona e apoia os melhores e mais criativos investigadores de todas as nacionalidades e idades, para a gestão de projetos na Europa. Este ano foram avaliadas mais de 2500 candidaturas, das quais 329 receberam financiamento, um incentivo que potencia a criação de 2 mil postos de trabalho para cidadãos altamente especializados, contratados para desenvolver os projetos aprovados. Portugal já recebeu mais de 140 milhões de euros em bolsas do Conselho Europeu de Investigação.

Projetos vencedores

Na edição deste ano, foram os oito projetos abaixo os que conquistaram o júri e vão receber fundos para poderem desenvolver-se:

ChronosAntibiotics: explora o ciclo celular das bactérias para ressensibilizar bactérias resistentes aos antibióticos, do Instituto de Tecnologia Química e Biológica, da Universidade Nova de Lisboa;

FatTryp: pretende identificar o ciclo de vida dos tripanossomas africanos e suas implicações em termos de progressão da doença de que são vetor, do Instituto de Medicina Molecular da Universidade de Lisboa;

MagTendon: aborda tecnologias de engenharia de tecidos assistida magneticamente para a regeneração de tendões, da Universidade do Minho;

SympatimmunObesity: pretende identificar os mecanismos simpáticos e imunológicos subjacentes à obesidade, da Fundação Calouste Gulbenkian;

Wolbakian: aborda a genética funcional da proliferação da bactéria Wolbachia e proteção contra vírus, da Fundação Calouste Gulbenkian;

YinYang: explora os circuitos hipotalâmicos na seleção de comportamento defensivo e reprodutor em fêmeas, da Fundação Champalimaud;

Dycocirc: identifica o circuito de mecanismos dos gânglios basais subjacentes ao comportamento cognitivo dinâmico, da Fundação Champalimaud; e

Neurofish: explora os circuitos cerebrais que controlam o comportamento visual e motor, da Fundação Champalimaud.

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