80 mil em defesa da escola pública: "Estado laico não paga dízimas"

Fenprof garante que a manifestação em Lisboa reuniu mais de 80 mil pessoas

Milhares de pessoas, segundo a Fenprof mais de 80 mil, concentraram-se na praça Marquês de Pombal, em Lisboa, para defender uma escola pública de qualidade e desfilaram pela avenida da Liberdade.

Algumas das personalidades que subscreveram a petição em defesa da escola pública que foi entregue na Assembleia da República subiram ao palco montado no local e fizeram intervenções sobre os motivos que os trouxeram à rua.

Entre os oradores constam a presidente da Assembleia Municipal de Lisboa, Helena Roseta, o secretário-geral da CGTP, Arménio Carlos, e a antiga secretária de Estado da Edução Ana Benavente.

Na intervenção inicial, o secretário-geral da Fenprof, Mário Nogueira, salientou que esta iniciativa "não é uma marcha contra ninguém, nem contra os colégios privados, é uma iniciativa pela defesa da escola pública, que tem sido maltratada".

Mário Nogueira disse que o ensino público tem sofrido um desinvestimento nos últimos anos, sobretudo nos 4 anos de Governo PSD/CDS-PP.

Todos os partidos da esquerda parlamentar estavam representados no arranque da marcha pela escola pública, em Lisboa, que junta milhares de cidadãos.

Bloco de Esquerda (BE) e Partido Comunista Português (PCP) estão representados na concentração pelas suas principais figuras: a porta-voz do Bloco, Catarina Martins, e o secretário-geral comunista, Jerónimo de Sousa, lideram as delegações de ambos os partidos.

O PS, por seu turno, está representado pelo coordenador do partido na comissão parlamentar de Educação, Porfírio Silva, e há mais parlamentares socialistas no encontro, e também Heloísa Apolónia, deputada do partido ecologista "Os Verdes", está presente na marcha.

Os manifestantes empunham cartazes que dão colorido à praça e reforçam o apelo à defesa da escola pública.

"Educação pública de todos e para todos" e "Estado laico não paga dízimas" são algumas das mensagens expressas pelos defensores da escola pública, que vão marchar até ao Rossio.

A concentração é também marcada pelo colorido das bandeiras dos sindicatos de professores e da CGTP.

Veem-se também cartazes de associações de pais, como a do Bombarral, e de escola secundária, como o liceu Camões.

A marcha conta ainda com a participação de pessoas que não integram a comunidade educativa mas concordam com os seus objetivos.

É o caso de Manuel Coelho, 61 anos, que não integra nenhum sindicato, mas quis participar na marcha porque considera que o dinheiro dos seus impostos deve ser canalizado para a escola pública.

"Estou aqui por uma melhor escola pública e quem quiser privado tem que pagar, não compete ao Estado", disse à agência Lusa.

A marcha foi promovida principalmente pela Fenprof, convocada no final de maio, numa altura em que os colégios privados, com contrato de associação, se desdobravam em ações diárias para contestar a anunciada redução do número de turmas financiadas pelo Estado em estabelecimentos particulares, a partir do próximo ano letivo.

A petição em defesa da escola pública, que a Fenprof entregou na Assembleia da República, e que teve entre os primeiros subscritores nomes como os músicos Sérgio Godinho, Fausto e Pedro Abrunhosa, o poeta Manuel Alegre, a autarca Helena Roseta, a historiadora Raquel Varela ou o catedrático Santana Castilho, reuniu mais de 71 mil assinaturas.

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