Mais de mil ideias contra o insucesso escolar

Só para o 1.º ciclo, as escolas apresentaram 1083 estratégias diferentes para combater insucesso, do estudo de ciências na serra à "escola de pais"

O Programa Nacional de Promoção do Sucesso Escolar, lançado este ano letivo, teve uma resposta elevada da parte das escolas. De acordo com uma resposta enviada ao DN pelo gabinete de comunicação do Ministério da Educação, "só no âmbito do 1.º ciclo do ensino básico encontramos nos planos de ação estratégica das escolas 1083 medidas diferentes".

Os mesmos agrupamentos enviaram várias propostas, para abordar problemas distintos, sendo que estas vão desde o recurso a programas já conhecidos e enraizados - como a Turma Mais e o Projeto Fénix - a ideias tão distintas como ensinar alguns conteúdos fora dos portões da escola ou, em contrapartida, levar os encarregados de educação às sala de aula.

De acordo com alguns exemplos de propostas facultados também pelo gabinete de comunicação do Ministério, o Agrupamento de Escolas Braancamp Freire, de Odivelas, apresentou à tutela seis projetos distintos. Entre estes inclui-se a "Escola de Pais", que visa "combater a imagem negativa da escola instalada na comunidade vai para três gerações", levando os progenitores ao estabelecimento e incentivando-os a reforçarem o seu envolvimento na vida escolar dos filhos. Na mesma escola está em marcha a coadjuvação (dois professores na sala) em Física e Ciências Naturais, tendo ainda sido criado - com a colaboração da Faculdade de Ciências da Educação da Universidade de Lisboa - o projeto "Ginásios de Leitura".

No agrupamento de Escolas de Azeitão, a escola básica identificou o combate à retenção como objetivo primordial, tendo em marcha uma estratégia para a limitar a situações excecionais nos fins de ciclo. Entre as medidas concretas está também a "aposta na coadjuvação (leitura e escrita)", com "o aluno a participar nas etapas de recuperação e monitorização da solução dos seus próprios problemas" ou abordagens pedagógicas diferentes, como o "estudo de ciências na serra da Arrábida", que já arrancou este ano letivo".

Em entrevista ao DN, o secretário de Estado da Educação, João Costa - que refutou notícias publicadas esta semana dando conta de alegadas pressões para passar alunos - , confessou-se "agradavelmente surpreendido" pelo número de propostas", defendendo que o objetivo sempre foi dar às escolas a oportunidade de avançarem com medidas "adequadas a cada contexto".

Manuel António Pereira, presidente da Associação de Diretores de Agrupamentos e EscolasPúblicas (ANDAEP) confirmou que a medida foi bem acolhida: "Uma coisa que sempre dissemos se rum problema do Ministério da Educação era tratar coisas diferentes da mesma forma", lembrou. No entanto, avisou que no Âmbito destas medidas, o Ministério "comprometeu-se com [a disponibilização de] alguns recursos" que, em certos casos, só começaram a ser efetivamente atribuídos "a conta-gotas, já com o ano letivo em curso".

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