Fundações investem um milhão na economia do mar

Parceria para o mar une a Fundação Oceano Azul e a Fundação Calouste Gulbenkian. As instituições prometem um investimento de um milhão de euros durante três anos na economia azul

A Fundação Oceano Azul e a Fundação Calouste Gulbenkian assinaram esta quarta-feira um protocolo de cooperação. Ao abrigo do programa Blue Bio Value, estas duas instituições comprometem-se a investir, de uma forma paritária, um milhão de euros durante três anos no setor do mar.

Nesta que é a primeira iniciativa conjunta das duas entidades, a presidente da Fundação Calouste Gulbenkian, Isabel Mota, considerou que "o Estado e as instituições podem e devem unir esforços para levar a cabo a ambição de promover uma sociedade mais azul". Este objetivo passa por "atrair mais empreendedorismo e investimento nesta área", disse.

Face aos desafios criados pela crise ecológica, José Soares dos Santos, presidente da Fundação Oceano Azul, destacou a urgência em preservar e explorar o potencial marítimo português. Para Soares dos Santos, Portugal tem de aproveitar a "oportunidade de estar na frente no que diz respeito à biotecnologia".

A assinatura deste protocolo contou também com a presença de Ana Paula Vitorino, Ministra do Mar. Num apelo à união de esforços em torno desta área, a ministra destacou o potencial de crescimento da economia oceânica: "Mesmo nos tempos de crise, quando o PIB global diminuiu, o Valor Acrescentado Bruto da economia azul subiu consistentemente."

Para Ana Paula Vitorino, o investimento de um milhão de euros "é muito desde que seja bem gasto". As empresas aceites neste programa de aceleração vão ter à sua disposição 600 milhões de euros, através de vários instrumentos de financiamento do Estado, como o Fundo Azul, os EEA Grants e o programa MAR 2020, de modo a crescerem e conseguirem aplicar os seus modelos de negócio sustentáveis.

De acordo com Pedro Norton, administrador da Fundação Calouste Gulbenkian, as empresas interessadas podem concorrer ao Blue Bio Value a partir de junho de 2018. "Entre setembro e outubro esperamos estar a arrancar com este programa de aceleração", sublinhou.

Ao longo dos próximos três anos, as duas Fundações esperam atrair projetos e startups ligados à bioeconomia azul. Fazendo uso dos biorrecursos marinhos, estes modelos de negócio levam ao desenvolvimento de produtos ou serviços sustentáveis.

Segundo documentos entregues aos jornalistas, o Blue Bio Value, o primeiro programa criado em Portugal de aceleração na área da biotecnologia marítima, vai possibilitar o desenvolvimento destas indústrias, cujos produtos e serviços podem ser aplicados, por exemplo, na indústria farmacêutica, na alimentar, mas também na indústria cosmética.

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