Falta de financiamento motivou saída do diretor da cibersegurança

Em pleno simulacro de um ciberataque, foi anunciado o pedido de demissão do professor Pedro Veiga, o diretor do CNCS

Falta de verbas para contratação de peritos e aquisição de equipamento terão sido a causa da demissão de Pedro Veiga, o diretor do Centro Nacional de Cibersegurança. O professor, que liderava o Centro desde 2016, bateu a porta com estrondo, em pleno simulacro, coordenado pelo CNCS, de um ciberataque, envolvendo várias entidades do Estado.

O DN tentou, sem sucesso, contactar Pedro Veiga, um pioneiro da Internet em Portugal, professor no Departamento de Informática da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa (FCCN), que, à hora em que foi conhecida a sua demissão era um dos oradores de uma conferência da CGD sobre "os desafios da União Europeia", que decorria na sede em Lisboa.

De acordo com fontes que têm acompanhado a atividade do CNCS, Pedro Veiga tinha manifestado em privado a sua frustração por não conseguir capacitar o centro ao nível que entendia ser adequado, quer a nível de equipamento de deteção e resposta a ameaças, quer a nível de peritos. "Os valores permitidos para a contratação de técnicos ficavam muito abaixo daquilo que podem e recebem no setor privado", adiantou uma dessas fontes. Desde que tomou posse, Pedro veiga viu fugir vários quadros altamente qualificados.

Por parte da tutela governamental, fonte oficial do gabinete da ministra-adjunta, Maria Manuel Leitão Marques, não quis comentar a invocada falta de resposta ao financiamento do CNCS, frisando que Pedro Veiga "saiu a seu pedido" e que "não teve nada a ver com o seu trabalho".

A nomeação do substituto será anunciada brevemente, de acordo com o gabinete de Maria Manuel Leitão Marques. A ministra da Presidência, segundo a mesma informação, agradeceu "o contributo inestimável de Pedro Veiga para o trabalho nesta área, ao longo destes dois anos".

A decisão do professor surgiu no dia em que teve início o primeiro exercício a nível nacional de cibersegurança, em Lisboa. Até esta quinta-feira. o CNCS está a testar o "grau de preparação" de várias entidades públicas e privadas a um ciberataque. Em declarações à agência Lusa, em antecipação do exercício, Pedro Veiga tinha afirmado que iria ter como alvo os setores da energia, transportes, banca, saúde e tratamento e distribuição de água. O objetivo "é testar o grau de preparação das entidades que vão participar no tratamento de incidentes de cibersegurança", explicou na ocasião Pedro Veiga.

O CNCS tem por missão "a deteção, reação e recuperação de situações que, face à iminência ou ocorrência de incidentes ou ciberataques, ponham em causa o funcionamento das infraestruturas críticas e os interesses nacionais", segundo se pode ler no site oficial. É a autoridade nacional competente em matéria de cibersegurança.

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