CDS de Assunção conquistou mais de 4000 novos militantes

Assunção Cristas quer o CDS "com imagem de um partido unido e mobilizado com uma estratégia clara de alternativa.

Nos últimos dois anos, desde que Assunção Cristas foi eleita presidente, o CDS ganhou mais 4 166 novos militantes, o maior número de sempre na história do partido, segundo números oficiais cedidos ao DN, sendo 2017 o ano com mais sucesso nestas conquistas. Neste momento o CDS tem um total de 38 455 filiados. Assunção Cristas sabe que o partido está a crescer e por isso quer, neste congresso que começa hoje em Lamego, um CDS "com imagem de um partido unido e mobilizado com uma estratégia clara de alternativa às esquerdas unidas". Para a construção desta "imagem" o CDS vai contar com o "CDS-TV", um canal televisivo próprio.

"Temos um partido a crescer, muito próximo das pessoas, a andar pelas ruas, a ouvir os seus problemas e a pensar em soluções", sublinhou ao DN. Na moção estratégica global, que apresentará, a líder do CDS aponta o caminho para um partido que quebre as "amarras das cores de uma sigla partidária" e vá buscar votos fora do eleitorado centrista tradicional. "Este é o grande desafio do CDS: fiel aos seus princípios fundadores, retirar os rótulos que foram sendo colados injustamente ao nosso partido, e deixar que, de forma mais livre, sem preconceitos e pré-entendimentos, se possa olhar para o CDS de hoje pelas suas propostas e pelos seus protagonistas. Queremos um CDS que já não é visto como partido "dos ricos", "dos patrões" ou "dos quadros", mas é o partido de todos, de todas as idades, homens e mulheres, rapazes e raparigas, que valorizam mais o trabalho, o mérito, as ideias, o afinco, a credibilidade e, sobretudo, a imaginação, a força criativa e o entusiasmo", ilustra Assunção Cristas na moção, intitulada "CDS: o partido do futuro".

O vice-presidente Adolfo Mesquita Nunes, um dos dirigentes mais próximos de Assunção e o seu principal estratega político, não tem dúvida das capacidades da líder, para assumir o desafio. "Assunção Cristas é, de todos os militantes do CDS, a mais bem colocada para tornar o CDS na primeira, natural e descomplexada escolha eleitoral do centro e da direita", sublinha. Muitas ou todas as dúvidas que se colocavam no congresso de há dois anos, dissiparam-se.

Como sublinhou em entrevista ao DN, o presidente da bancada parlamentar centrista, Nuno Magalhães, nas "várias entrevistas" que deu há dois anos "quase 60% das perguntas eram se achava ou não que a Assunção estava preparada tendo em atenção que não tinha grande experiência política, se o CDS era um partido de um homem só e, portanto, se iria sofrer com a saída de Paulo Portas, se nós teríamos capacidade ou não de nos entender. O melhor exemplo do excelente mandato da Assunção é que essas perguntas nunca mais ninguém fez, por uma razão muito simples, porque hoje são absurdas.

Mesquita Nunes, ex-secretário de Estado do Turismo do governo PSD/CDS, será o coordenador do programa eleitoral para as legislativas de 2019 e levanta a ponta do véu: "Num mundo em mudança permanente, com os desafios da economia digital, da inteligência artificial, da economia colaborativa, dos riscos ambientais e demográficos, o nosso programa terá como objetivo tornar Portugal um líder na nova economia, enfrentando e preparando a mudança, ao invés de tentar proteger-se dela", afiança.

Refuta críticas, que têm surgido internamente, em relação ao afastamento do CDS da sua matriz ideológica democrata-cristã, sublinhando que "a base doutrinária do CDS está há muito definida e estabilizada; do que se trata agora é de alargar a base eleitoral".

Que está disposta a correr riscos, já se percebeu quando avançou sozinha para Lisboa e atirou o PSD para trás nos resultados. E sim, vai fazê-lo também nas eleições legislativas e nem o considera "arriscado", nem, como afirmou um seu "crítico", Filipe Lobo d"Ávila, acha que isso pode significar que António Costa possa continuar a governar "confortavelmente" o país, como Fernando Medina em Lisboa, apesar da grande subida do CDS. "Nas autarquias, o regime é presidencial. Preside quem ganha. Mas nas eleições nacionais, como se sabe, ganha quem tiver uma maioria parlamentar, 116 votos. Correu bem em Lisboa para o CDS e vai correr bem em todo o país", assevera.

Este 27º congresso será o momento da consagração e confirmação da liderança, mas nem por isso Assunção Cristas se dá por garantida a longo prazo na presidência do partido. "Um partido não é uma corrida de 100 metros, é uma maratona", sublinha, quando questionada sobre a longevidade possível da sua liderança e se pretendia ultrapassar o mandato de Paulo Portas, que esteve 16 anos como presidente do CDS. Cristas lembra que "o sucesso da política se mede pelos resultados eleitorais e, de dois em dois anos nos congressos, o partido decidirá se me quer ou não".

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