Barragens alagam exploração agrícola de Torre de Moncorvo pela quarta vez

"Avultados prejuízos" provocados pelo alagamento de parte da exploração de hortícolas

Uma jovem agricultora de Torre de Moncorvo, em Trás-os-Montes, queixou-se hoje de "avultados prejuízos" provocados pelo alagamento de parte da exploração de hortícolas, alegadamente provocado pela subida ilegal das águas das barragens do Douro e Sabor.

A exploração agrícola da família de Catarina Martins fica na Foz do Sabor, a zona em que o rio se encontra com o Douro, e, segundo contou à Lusa, hoje por volta das 10:00, cinco dos 15 hectares de hortícolas ficaram submersos com uma subida das águas "um metro e vinte acima da quota que está estipulada legalmente para esta zona".

Os prejuízos ainda não estão calculados, mas Catarina Martins avança que não vai poder cumprir com os contratos que tinha com clientes de grandes superfícies de Portugal e de Espanha e teme que a situação "piore" com nova subida das águas. Este é já o quarto alagamento das plantações em cinco anos, com três processos em tribunal e pedidos de indemnização a totalizarem 310 mil euros.

Nos cinco hectares inundados na manhã de hoje, a jovem empresária agrícola, que pretende dar continuidade ao negócio da família, explicou que tinha hortícolas, nomeadamente couve, prontos para colheita e serem distribuídos pelos clientes.

"Eu vou perder os meus contratos para a entrega destes produtos porque não tenho condições para cumprir" afirmou à Lusa.

Catarina Martins responsabiliza a EDP pelas inundações que destoem as culturas e argumenta que a subida das águas acima do legalmente previsto naquela zona do Baixo Sabor se deve "à má gestão das barragens" do Douro e do Sabor, que acumulam a água neste local e provocam o alagamento.

Esta exploração agrícola já foi várias vezes alagadas, as últimas das quais em 2013, 2014 e 2016, a que acresce a ocorrência de hoje.

Catarina Martins foi distinguida com um prémio de jovem empresária agrícola e decidiu seguir o negócio dos pais, licenciando-se na área

Nas três vezes anteriores, a exploração agrícola avançou com processos no Tribunal Administrativo e ainda não há decisão de judicial de nenhum, de acordo com a empresária.

Nos três processos são pedidas indemnizações pelos prejuízos causados nos hortícolas que totalizam cerca de 310 mil euros, segundo contou.

Catarina Martins foi distinguida com um prémio de jovem empresária agrícola e decidiu seguir o negócio dos pais, licenciando-se na área.

"Eu queria fixar-me nesta zona, mas eles estão-me a mandar embora por que eu não consigo andar toda a vida a pedir empréstimos para dar continuidade ao negócio por causa dos prejuízos", desabafou.

A Lusa aguarda resposta da EDP, a concessionária das barragens, a um pedido de reação a esta situação.

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