Açores no centro da segurança e investigação no Atlântico

Oito países, universidades, centros de investigação e empresas internacionais num projeto que pretende criar emprego e contribuir para a sustentabilidade ambiental

O Centro Internacional de Investigação dos Açores ("Atlantic International Research centre" - AIR Center) é criado hoje, no Brasil, através da assinatura da Declaração de Florianópolis. O novo centro, que terá instalações no arquipélago mas pretende aproveitar infraestruturas e meios humanos espalhados por vários pontos do planeta, pretende aproveitar tecnologia espacial, nomeadamente se satélites, para recolher e fornecer informação focada na zona do Atlântico em áreas como a segurança, a agricultura e pescas, a preservação da biodiversidade e até o ordenamento urbano.

"Vamos tentar ter uma rede de informação e de centros com pessoas capazes de processarem essa informação, tendo acesso a dois grandes supercomputadores - na Europa e nos Estados Unidos, tecnologia de satélites de controlo oceânico e outros meios que forem necessários", disse ao DN o ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Manuel Heitor, que admite também algumas aquisições de equipamento para a futura sede açoriana, nomeadamente "uma nova antena, adquirida através da ESA [Agência Espacial Europeia]".

O Air Center tem oito países fundadores: Portugal, Brasil, Espanha, Angola, Cabo Verde, Nigéria, Uruguai, São Tomé e Príncipe, juntamente com o governo regional dos Açores. São ainda observadores, nesta fase, o Reino Unido e a África do Sul. A França é outro possível parceiro de futuro.

Integram-no ainda várias universidades e centros de investigação, nomeadamente UROcean, PLOCAN, Barcelona Super Computing Centre CEiiA, Universidade do Texas em Austin, Universidade de Cabo Verde, Instituto Marinho da Irlanda, SINTEF, WavEc, Associação RAEGE dos Açores, INESC TEC, o INESC Brasil, o Instituto de biodiversidade e o Instituto Espanhol de Oceanografia.

Os superprocessadores utilizados pelo centro serão o de Barcelona e o que está instalado na Universidade de Austin, Texas, sendo que segundo o ministro será criado "um nó de supercomputação em Portugal, no Minho". Outras instalações existentes, nomeadamente nas ilhas Canárias e em Cabo Verde, também serão utilizadas.

No setor privado, entre as empresas tecnológicas nacionais e estrangeiras já associadas ao projeto contam-se a Elecnor Deimos, Thales, EDP Inovação, Lusospace e Tekever.

O Air Center terá, segundo Manuel Heitor, dois objetivos fundamentais: a "criação de emprego" e o contributo para "um futuro sustentável", nomeadamente através de um papel de monitorização das alterações climáticas e dos seus efeitos, com ênfase no Atlântico e nos países por este banhados.

Inicialmente será criado como uma instituição do regime legal português mas o objetivo é que, à medida que os parlamentos dos diversos países membros aprovem a medida, integrá-la à luz de um acordo internacional, o que, segundo o ministro, deverá estar concretizado "até ao final de 2019".

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