"Instituto ficou em último? Não percebo porquê!"

Estabelecimento de ensino cooperativo de Castelo Branco, onde ensino é gratuito, tem 140 alunos, com pais da classe operária e com estudos que não vão além da antiga 4.ª classe. Tem sete turmas, entre o 5.º e o 12.º anos.

"O Instituto ficou em último lugar? Não estou a perceber porquê. Até temos lá bons alunos". É a reacção incrédula de Francisco Fandinga, presidente do Instituto de São Tiago, em Sobreira Formosa, perante a comparação das classificações dos exames nacionais. Mas a verdade é que os "bons alunos" não conseguiram compensar as más prestações gerais nas provas que dão acesso à universidade, uma média de 6,36 valores, o que fez com que a nota final ficasse pelos 10,6 valores.

Sobreira Formosa é uma freguesia rural, que dista dez quilómetros de Proença-a-Nova, no distrito de Castelo Banco. É um pequeno vale com cerca de dois mil habitantes e que fica na encruzilhada de várias aldeias. Foi este isolamento que fez com que os locais construíssem o edifício que acolhe o Instituto de São João desde 1991, sendo presidida por elementos dessa comissão, função que exercem sem serem remunerados. Mas é o Ministério da Educação que gere e suporta a função educativa, razão pela qual os alunos não pagam mensalidade. É uma cooperativa sem fins lucrativos.

Ana Ribeiro, 13 anos, é um dos 140 alunos que frequentam o estabelecimento de ensino e que tem uma turma por cada ano de ensino, entre o 5.º e o 12.º ano. "Gosto da escola, tenho as aulas normais e faço parte de três clubes: música, badmington e atletismo. Entro às 9.00 e saiu às 16.45. Tenho tido os mesmos professores, apenas mudou o de geografia e, agora, a de Física que foi substituída porque teve um bebé", conta a estudante que está no 8.º ano.

É provável que Ana tenha de ir para Proença-a-Nova no ensino secundário para estudar artes. O Instituto São Tiago só tem uma turma de ciências e tecnologias no secundário, explica jovem

Todos se conhecem na freguesia. Ana é filha de Manuel Cardoso, dono do café Manuel da Praça. Ele, que já foi tesoureiro do Instituto, acredita que a rapariga anda num bom estabelecimento de ensino e não é por causa do ranking que a vai mudar antes de chegar ao 10.º ano. Até porque há o problema das acessibilidades e dificuldades com os transportes públicos.

Não foi possível falar com a directora pedagógica da escola Franquelina de Sousa, para perceber com que população estudantil trabalham. Mas a verdade é que o Instituto de São Tiago, também, não ficou muito bem classificado nos exames nacionais do ano lectivo passado. Ficou em 588 lugar, numa lista que terminava no 609, ou seja, na 21ª posição a contar do fim. Este ano, desceu dez lugares, mas também ficou prejudicada por não se ter contado para o ranking deste ano as escolas que, apenas, levaram a exame os alunos propostos.

A equipa docente faz uma caracterização da população estudantil do seu projecto educativo. A maioria não tem irmãos e não tem repetições no currículo escolar. Têm pais operários, sobretudo pedreiros ou reformados, e mães domésticas, ambos com habilitações que não vão além da antiga 4.ª classe. Há um pai com um curso superior e uma mãe com um mestrado.

As disciplinas que os alunos dizem ter mais dificuldades são a matemática e o francês, mas há, também, problemas com o português e com a química. Em contrapartida, adoram a educação física.

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