Funcionários da EMA preferem Amesterdão. Porto a meio da lista

Escolha da nova sede da Agência Europeia dos Medicamentos será conhecida em novembro. Portugal está a desenvolver várias ações de campanha em Bruxelas e nas redes sociais

Quando tiverem de deixar o Reino Unido, por causa do brexit, a maioria dos funcionários da Agência Europeia de Medicamentos (EMA) prefere passar a trabalhar em Amesterdão (Holanda). Esta terá sido a informação que os principais responsáveis por um dos mais importantes reguladores europeus passaram à Comissão Europeia depois de um inquérito aos perto de 900 funcionários. Na corrida para ser sede da EMA estão 19 cidades, entre elas o Porto, que está a meio da tabela das preferências. Eurico Castro Alves, membro da Comissão de Candidatura Nacional, diz que Portugal está no lote de cidades que têm o aval de mais de 50% dos trabalhadores. A vencedora será conhecida em novembro.

O inquérito aos funcionários foi lançado pela EMA a 4 de setembro e os resultados publicados ontem no site da agência europeia, sem referir os nomes das cidades. Dividem-nas em quatro grupos de acordo com as preferências dos trabalhadores. No primeiro grupo estão as cidades escolhidas por 65% ou mais dos funcionários como estando disponíveis para se mudar para elas. No segundo, as que recolheram entre 64% e 50% das preferências, no terceiro as percentagens descem para entre os 49% e os 30% e no último as cidades que recolheram menos de 30% de disponibilidade.

Segundo a Reuters, que cita a versão europeia do jornal Politico, Amesterdão terá sido a cidade mais escolhida pelos funcionários da EMA, mas que entre as preferências estão também Barcelona, Viena, Milão, Copenhaga, Atenas e Dublin. Na nota, no site, a EMA alerta que para garantir o funcionamento da agência - responsável pela aprovação de medicamentos, avaliação e controlo de efeitos adversos - é preciso garantir a continuidade da maioria dos peritos e que não seria possível assegurar o funcionamento da agência se se optar por uma localização cuja taxa de retenção fosse inferior a 30%. Mesmo escolhendo uma das opções preferidas dos funcionários, a EMA estima que seriam precisos entre dois a três anos para estar novamente em velocidade cruzeiro.

Em julho, numa altura em que se discutia que cidade portuguesa iria concorrer para receber a sede da EMA, o presidente da Associação Portuguesa da Indústria Farmacêutica (Apifarma), João Almeida Lopes, chegou a afirmar que Lisboa reunia as preferências dos funcionários da agência, em comparação com "Milão, Copenhaga, Lille e outras cidades concorrentes".

Eurico Castro Alves, membro da Comissão de Candidatura Nacional, adianta ao DN que "o Porto faz parte da metade superior, acima dos 50%", o que nos "põe na corrida" a sede da EMA. "Tivemos cerca de um mês e meio, para desenvolver contactos quando outras cidades estão a fazer divulgação há um ano. Mesmo assim estamos no grupo que está na corrida, o que é muito gratificante", diz, salientando o empenho do ministro da Saúde e da secretária de Estado dos Assuntos Europeus na promoção da campanha.

Em contagem decrescente para a decisão, o trabalho diplomático e de divulgação continua. "Todos temos obrigação de dar o máximo. No dia 10 de outubro temos uma reunião com os eurodeputados para apresentar o nosso projeto, com a presença do ministro da Saúde e da secretária de Estado dos Assuntos Europeus e uma delegação académica portuense. Os nossos diplomatas e embaixadores têm feito um trabalho incessante de divulgação nas redes sociais como o Instagram e o Facebook, na página EMA in Porto".

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