Foram detidas mais 1575 pessoas do que em 2016 por tráfico de droga

Em 2017, as polícias detiveram um total de 7256 pessoas, um aumento de 24% em relação ao ano anterior. Mais de 1100 são estrangeiros, indica o Relatório Anual de Segurança Interna. O haxixe é a droga que leva a mais detenções

O número de pessoas detidas em Portugal por tráfico de drogas voltou a aumentar, seguindo uma tendência dos últimos anos. Em 2017, segundo o Relatório Anual de Segurança Interna, o número atingiu as 7256 pessoas detidas pelas forças de segurança, o que representa um aumento de 24% em relação ao ano anterior em que tinham sido detidas 5681 pessoas. Neste ano de 2016, já havia um aumento de 5,3% no número total de detidos em relação a 2015. A maioria destas ações é efetuada pela PSP e pela GNR, sendo o haxixe a droga que originou mais detenções.

O número de detidos em casos de tráfico de droga tem aumentado sempre nos últimos cinco anos, de acordo com as estatísticas dos RASI. Em relação a 2017, o presente RASI informa que "foram detidas 7256 pessoas por tráfico de estupefacientes, destas 666 do sexo feminino e os restantes do sexo masculino. Verifica-se que 1124 dos detidos têm nacionalidade estrangeira, o que demonstra o caráter transnacional do fenómeno".

O relatório que reúne a informação sobre a criminalidade em Portugal não discrimina mais informação sobre as detenções, seja pelo tipo de droga em causa ou pela força de segurança que efetuou a detenção. "Nos últimos anos o número de detidos aumenta sobretudo devido às muitas ações da GNR e da PSP. São as forças que mais detidos registam, tal como em número de apreensões", explicou ao DN fonte ligada à investigação criminal do tráfico de estupefacientes. Apesar de detidos, uma grande parte destas pessoas acaba por ficar em liberdade após ser presente a um juiz, com medidas de coação mesmo gravosas que a prisão preventiva.

Entre os detidos, indica o RASI, a maioria, 5625, tem mais de 21 anos, com 1681 a terem menos desta idade. O relatório não esclarece se este total de 7256 detidos se refere a indivíduos diferentes ou há casos de detenções da mesma pessoa em diferentes ocasiões do ano.

Em relação a quantidades apreendidas, no ano passado houve um um aumento nas quantidades de cocaína e haxixe apreendidas. No caso da cocaína verificou-se que as forças de segurança apreenderam 2748 quilos, o que representa um aumento de 162% em relação a 2016. No haxixe, a subida foi de 116,3%, sendo um total de 15277 quilos ao longo do ano.

No que toca a heroína e ecstasy (que completam os quatro tipo de drogas que servem de referência neste relatório), verificou-se uma redução das quantidades apreendidas. Na heroína foram apreendidos 48,2 quilos, uma redução de 15,3%, e no ecstasy as apreensões fixaram-se em 16 700 unidades, menos 89% do que em 2016.

Quanto ao número de apreensões efetuadas, o haxixe domina largamente, com um total de 6917 realizadas por todas as forças de segurança, um aumento de 48,6% em relação a 2016. Nas restantes drogas, os números apontam 1576 apreensões de cocaína (mais 39%), 1024 de heroína (mais 33,7%) e 585 de ecstasy (mais 109,7%). Isto significa que em todas as drogas houve um aumento do número de apreensões, embora tal nem sempre corresponda a um aumento das quantidades apreendidas.

De resto não houve grandes mudanças nos circuitos internacionais, com Portugal a ser uma porta de entrada da cocaína e haxixe na Europa. "Não se verificaram alterações significativas relativamente aos anos anteriores, continuando a heroína a chegar a Portugal através de outros países europeus e também de Moçambique por via aérea. O haxixe continua a ser maioritariamente proveniente de Marrocos e a cocaína da América do Sul", refere o RASI.

Presença habitual nestes relatórios nos últimos anos é a utilização da darknet (parte da internet só acessível com software específico). "Verifica-se um crescendo de utilização da internet, em especial da darknet, por parte de indivíduos isolados e de grupos criminosos, para comercializarem os mais diversos tipos de drogas ilícitas e de novas substâncias psicoativas, que os consumidores recebem diretamente, por via postal, nos seus domicílios", diz o RASI, que assinala ainda "a deteção de um laboratório de novas substâncias psicoativas em território nacional", um caso que envolveu um casal de polacos a viver na Lourinhã que recebia pagamentos em criptomoedas. A sentença foi esta semana e foram condenados a seis e sete anos de prisão.

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