Eduardo Lourenço será conselheiro de Estado de Marcelo

Escritor e ensaísta revelou esta sexta-feira que irá integrar o Conselho de Estado a convite do Presidente eleito

Marcelo Rebelo de Sousa convidou Eduardo Lourenço para integrar o Conselho de Estado. A confirmação foi dada pelo próprio escritor e ensaísta à TSF, esta sexta-feira.

"No princípio desta semana, o nosso novo Presidente teve a gentileza de me telefonar para me convidar para integrar o Conselho de Estado. Fiquei surpreendido. Não sou alguém com importância na ordem política, por isso não sei muito bem o que dizer, a não ser agradecer a gentileza e contribuir dentro do possível para fazer parte do Conselho de Estado", disse à rádio.

Eduardo Lourenço revelou ainda que o Presidente eleito já referira a hipótese de o convidar para conselheiro de Estado "em tempos". Porém, o escritor considerara o convite como "um gesto de simpatia", uma vez que não é político apesar de ser "uma pessoa preocupada com a política". Marcelo acabou por renovar o convite, que Eduardo Lourenço aceitou.

Cinco dos membros do Conselho de Estado são designados pelo Presidente da República em funções, pelo período correspondente ao seu mandato.

O Parlamento elegeu em dezembro os seus cinco representantes no Conselho de Estado, tendo o resultado refletido a relação de forças no hemiciclo resultante das eleições legislativas de outubro de 2015. A esquerda passou a ter três elementos no órgão de consulta do Presidente da República, ao passo que a direita ficou com dois assentos.

Carlos César (PS), Francisco Louçã (BE) e Domingos Abrantes (PCP) figuram entre o rol de 19 conselheiros, tal como Francisco Pinto Balsemão (PSD) e Adriano Moreira (CDS), estes últimos eleitos pela lista conjunta PSD-CDS.

Eduardo Lourenço tem 92 anos e é um ensaísta com um longo currículo. Nascido em S. Pedro do Rio Seco, no concelho de Almeida, na Beira Alta, frequentou a escola primária local e matriculou-se, posteriormente, no Colégio Militar, em Lisboa, onde concluiu o curso em 1940.

Inscreveu-se na Faculdade de Ciências da Universidade de Coimbra, desistindo para prestar provas, mais tarde, em Ciências Histórico-Filosóficas, na Faculdade de Letras da mesma instituição, licenciatura que concluiu em 1946, tendo apresentado uma tese sobre "O Sentido da dialética no idealismo absoluto", publicada mais tarde.

Em 1949, partiu para França, a convite do reitor da Faculdade de Letras da Universidade de Bordéus, com uma bolsa de estágio da Fundação Fulbright. Em 1953, iniciou uma carreira académica, tendo lecionado em diversas universidades europeias e americanas, designadamente, nas de Hamburgo e Heidelberg, na Alemanha, Montpellier, Grenoble e Nice, em França, e na da Baía, no Brasil, entre outras.

Doze anos mais tarde, em 1965, fixou residência em Vence, na região dos Alpes Marítimos, no sudeste de França, mas manteve sempre ligação ao país de origem, refletindo sobre a sociedade portuguesa.

Professor jubilado da Universidade de Nice, em 1988, recebeu nesse mesmo ano o Prémio Europeu de Ensaio Charles Veillon, pelo conjunto da obra, e, um ano depois, assumiu o cargo de conselheiro cultural junto da embaixada de Portugal em Roma, onde permaneceu até 1991.Em 1999, foi nomeado administrador não executivo da Fundação Calouste Gulbenkian.

Entre condecorações e distinções, recebeu as ordens de Grande Oficial de Santiago e Espada (1981), a Grã-Cruz da Ordem do Infante D. Henrique (1992), a Grã-Cruz da Ordem de Santiago e Espada (2003) e a Grã-Cruz da Ordem da Liberdade (2014).

França distinguiu-o com a Ordem Nacional de Mérito (1996), a Ordem das Artes e das Letras (2000) e a Legião de Honra (2002).

Em 2008 recebeu a medalha de Mérito Cultural do Governo Português e a Ordem de Mérito Civil de Espanha. O Centro de Estudos Ibéricos, na Guarda, instituiu em 2005, em sua homenagem, o Prémio Eduardo Lourenço, destinado a distinguir personalidades ou instituições com intervenção relevante no âmbito da cultura, da cidadania e da cooperação ibéricas. Em 2015, o galardão foi atribuído à escritora Agustina Bessa-Luís.

Vencedor do Prémio Pessoa e do Prémio Camões, dois prestigiados galardões, Eduardo Lourenço foi distinguido já em 2016 com o Prémio Vasco Graça Moura - Cidadania Cultural, entregue este ano pela primeira vez.

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