Direita cavalga Tancos e Pedrógão, BE e PCP focam-se no OE 2018

Primeiro-ministro anunciou que entrega esta quinta-feira ao Presidente da República a lista dos novos secretários de Estado

O segundo debate do Estado da Nação desde que António Costa é primeiro-ministro foi tudo aquilo que se esperava, sem surpresas nem surpresas de última hora.

O incêndio de Pedrógão e as suas consequências; o desaparecimento de material militar em Tancos; e o Galpgate, que vitimou três secretários de Estados (arguidos por terem recebido da petrolífera viagens a jogos da seleção em França no Euro 2016), deu à oposição PSD-CDS o fôlego que esta precisava para contornar a evolução da economia (que aliás até Passos reconheceu como "boa").

O primeiro-ministro, António Costa, ainda tentou sinalizar que retomara a iniciativa política, depois do inoportuno gozo de férias dias depois dos incêndios e em pleno caso de Tancos, anunciando que nesta quinta-feira entregará ao Presidente da República a lista dos novos secretários de Estado para estes tomarem posse. Ao mesmo tempo revelou que haverá uma nova secretaria de Estado, da Habitação - garantindo também que não remodelará nenhum ministro. Mas isso não impediu nem o PSD nem o CDS de seguirem o guião que tinham definido, atacando contundentemente o governo (e primeiro-ministro em particular).

Costa insinuou que Montenegro pode vir a liderar o PSD: "Não sei se no próximo ano não voltarei a tê-lo como interlocutor noutra qualidade..."

Para Luís Montenegro - agora prestes a deixar a liderança da bancada do PSD - todos os acontecimentos das últimas semanas representam uma só coisa: "O governo chega a este debate num processo de degradação indisfarçável. O governo está a colapsar, perde autoridade todos os dias e o país já percebeu que nos momentos difíceis, nas contrariedades, não tem liderança, ou, no mínimo, tem uma liderança muito frágil", acusou.

"Agora que ficaram expostas as fragilidades, as contradições, as simulações, o calculismo e o populismo latente, começa a sentir-se que precisamos coletivamente de mais qualquer coisa. O país precisa, pelo menos, de liderança e de objetivos mobilizadores e efetivos", acrescentaria mais tarde Passos Coelho, que voltou a acusar o governo de ter mudado de política económica a meio, pondo "travão a fundo" no investimento e na despesa pública, quando percebeu que a sua receita não funcionava ("caiu a máscara da austeridade", afirmou). "Precisamos, enquanto país, de muito mais", disse, acrescentando que "ficar unicamente à espera de melhores ventos e da sorte não chega".

Costa respondeu dizendo que "o que aqui assistimos não foi a uma descrição do colapso do Estado, foi a uma descrição do colapso do sentido de Estado do PPD-PSD". E depois divertiu-se a insinuar que Luís Montenegro até pode vir a suceder a Passos Coelho (ao lado de quem estava sentado) na liderança do partido: "Não sei se no próximo ano não voltarei a tê-lo como interlocutor noutra qualidade..."

O CDS alinhou pelo mesmo diapasão. "O senhor não tem um governo, tem uma sucessão de casos de ministros que o senhor desconsidera e ultrapassa num dia, mas segura no outro, de secretários de Estado que se demitem, oportunamente, com um ano de atraso; tem uma administração com degradação de serviços públicos, da educação à saúde ou aos transportes, tem o governo da austeridade dissimulada", afirmou a líder do partido.

Relativamente a Tancos, Assunção Cristas argumentou que o primeiro-ministro disse que "afinal era tudo sucata". E ironizou: "Pela sua lógica, daqui a pouco estamos a agradecer terem roubado o material porque sempre poupamos o custo de o desmantelar."

À esquerda, Bloco e PCP salientaram que o país está melhor do que há um ano por causas das políticas de devolução de rendimentos, mas voltaram a pôr em cima da mesa os respetivos cadernos reivindicativos para a negociação do próximo Orçamento do Estado (OE 2018). Como sempre, aproveitaram para criticar duramente a governação PSD-CDS entre 2011 e 2015, sublinhando como a inversão de políticas não produziu mais resultados económicos, pelo contrário, fez subir o PIB, baixar o défice e o desemprego.

Outro inquérito

Bloquistas e comunistas querem mais escalões no IRS, aumento do salário mínimo, descongelamento de carreiras na função pública e a reversão das alterações ao Código do Trabalho introduzidas pela maioria PSD-CDS entre 2011 e 2015. Costa disse que sim a tudo menos a esta última ideia. A política do governo em matéria laboral passa apenas por desbloquear a contratação coletiva, combater a precariedade e o desemprego juvenil.

Fora do debate ficou a notícia, divulgada pela SIC já depois de o debate terminar, segundo a qual há uma outra investigação criminal às viagens ao Euro 2016, centrada esta em deputados (do PSD, por exemplo) que viajaram a convite do empresário Joaquim Oliveira (acionista do Global Notícias Media Group, holding dona do DN).

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