Jorge Silva Carvalho: "Urban e Barrio têm segurança de elite"

A segurança dos Urban Beach e do Barrio Latino, onde ocorreram os incidentes no ano ano passado, está agora nas mãos da Anthea, que tem no seu comando o ex-diretor do Serviço de Informações Estratégicas de Defesa (SIED)

O que mudou na segurança do Urban Beach e do Barrio Latino desde que assumiu essa responsabilidade?

A Anthea tem como princípio que a segurança na noite deve ser encarada como qualquer outra atividade de segurança privada, no que diz respeito às exigências e responsabilidades. Os estabelecimento de diversão noturna devem também ser olhados como empresas, que são, com uma atividade económica muito importante, não só para o turismo, como para o lazer de todas as pessoas. E todos têm o direito de sair à noite e de sentirem seguros nestes espaços. O que fizemos logo de imediato, quando fomos convidados para fazer a segurança destes locais, foi fazer um seleção de quadros, dar-lhes a formação adequada para este ambiente, incluindo uma maior preparação psicológica para conseguirem lidar, com tranquilidade, com a diversidade de situações que vão surgindo na noite. O Urban e o Barrio Latino, tal como os outros estabelecimentos de cuja segurança a Anthea é responsável, tem neste momento o que designamos, internamente, de equipas de elite, muito bem preparadas. O Urban reabriu no final de janeiro com todas as condições.

O Barrio Latino mantém a interdição do chamado horário after hours, entre as seis e a uma da tarde, que foi o período em que aconteceu o homicídio do segurança. Pode garantir que há segurança absoluta nestes locais?

Ninguém pode garantir isso. Nem nesses locais, nem em parte alguma. Mas o que podemos garantir é que agora se acontecer alguma coisa estaremos todos muito melhor preparados para reagir adequadamente. Além das nossas equipas, como disse, preparadas especialmente para estas funções, os proprietários fizeram também importantes investimentos. O Urban, por exemplo, tem o melhor nível de segurança de sempre: aumentou bastante o número de câmaras de videovigilância e tem uma equipa permanente de bombeiros.

Uma avaliação de risco feita pela PSP e GNR aponta para 70 bares e discotecas problemáticos em Lisboa, Porto e Albufeira. Em Lisboa são 23? Este número surpreende-o?

Sinceramente não. De qualquer forma, penso que as autoridades deviam olhar, menos para o estabelecimento em si, mas mais para as zonas de Lisboa, por onde os "fluxos" da noite vão circulando. Se olharmos para esses "fluxos" rapidamente percebemos que as zonas mais problemáticas são aquelas com os horários mais tardios, nomeadamente as que têm os "after hours"...

Foi o caso do Barrio Latino?

Também. Existe um efeito cascata e os horários poderiam ser adaptados. Lisboa deve ser olhada como um todo. Deve, para isso, haver uma atitude preventiva e colaborativa entre os responsáveis destas empresas de diversão, as empresas de segurança privada e as autoridades públicas. Em várias situações perconizamos uma atitude preventiva no diálogo com as autoridades, nomeadamente com a PSP.

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