De Mação a Proença-a-Nova, aldeias evacuadas e casas ardidas

Marcelo Rebelo de Sousa foi a Mação, onde as chamas lavram desde domingo. O vento que se faz sentir não tem ajudado o combate. "A intensidade do vento é diabólica", diz ao DN o presidente da Liga de Bombeiros

"Catastrófico." Foi assim que o vice-presidente da Câmara de Mação, António Louro, definiu ao DN o incêndio de grandes proporções que lavra no concelho e que ao longo do dia de hoje obrigou à evacuação de mais de dez aldeias e de cerca de duas centenas de pessoas. A intensidade do vento está a complicar o combate às chamas, com populares e autarcas a apontarem falta de meios. Várias casas terão ardido, em número ainda indeterminado.

"A situação é muito complicada", resumiu ao DN o presidente da Liga de Bombeiros. "A intensidade do vento é diabólica. Rajadas a soprar por todo o lado, com muita intensidade", referiu Jaime Marta Soares, apontando também o surgimento de novos focos de incêndio "longe dos grandes incêndios" - "o fogo está num lado e de repente aparece em outro, o que obriga a uma grande dispersão de meios". Além de Mação, o incêndio que deflagrou na tarde de domingo no concelho da Sertã (distrito de Castelo Branco) alastrou até Proença-a-Nova, outra frente de grande intensidade.

Com os responsáveis da autarquia de Mação a queixarem-se de falta de meios no terreno, uma crítica repetida por populares, o secretário de Estado da Administração Interna, Jorge Gomes, chegou a Mação ao início da noite. Pediu cautela quanto à falta de meios - "tivemos oito aviões em Mação, nenhum conseguiu operar" devido ao fumo -, mas admitiu que nem tudo correu bem. "Houve um problema, o fogo andou a uma velocidade muito grande. E quando o fogo anda a essa velocidade, o sistema não consegue acompanhar a velocidade do incêndio." Quanto a novas falhas no sistema de comunicações de emergência, o SIRESP, Jorge Gomes disse que o governo "exige que o sistema esteja sempre em pé e sem falhas".

O Presidente da República, que chegou ao teatro de operações cerca das 21.30, destacou também a "grande imprevisibilidade" no avanço de um incêndio que se estendeu entretanto por uma "área imensa e muito dispersa". "Tudo aquilo que é necessário fazer dentro da relatividade dos meios, de acordo com o que me foi contado, vai sendo feito", referiu o Chefe do Estado, que se dirigiu depois ao quartel dos bombeiros "para dar um abraço aos voluntários" no combate ao incêndio.

Os dois novos incêndios deflagrados ontem aumentaram ainda mais a pressão sobre os bombeiros que há três dias vinham a combater as chamas nos concelhos da Sertã, Proença e Mação. De acordo com informações dadas ao DN por Nuno Oliveira, do comando distrital das operações de socorro (CDOS) de Santarém, o combate ao grande incêndio que começou no fim de semana estava ontem a ser dificultado por "bastantes dificuldades de meios". Isto apesar de ontem à noite estarem envolvidos no combate às chamas 1027 operacionais, oriundos de corporações de praticamente todo o país.

Sobre os dois novos incêndios que deflagraram ontem na mesma região, o primeiro, que começou de manhã, surgiu também em Mação, entrando depois no distrito de Portalegre. Estavam envolvidos no combate às chamas 132 homens mas, de acordo com o CDOS de Santarém, as chamas teimavam em "não ceder aos meios de combate". Também a evoluir de forma "descontrolada" estava um incêndio que começou na Marmeleira, Sertã, por volta das 18.00 horas, dirigindo-se igualmente para o concelho de Mação. "Está a ser combatido mas não há muitos meios disponíveis neste momento", assumiu Nuno Oliveira, estimando em cerca de uma centena os bombeiros envolvidos.

Durante o dia de ontem, de acordo com os dados apresentados pela Autoridade Nacional de Proteção Civi (ANPC) pelas 19.00, foram registadas 104 ocorrências de incêndios florestais no país, sendo os dois incêndios de Castelo Branco e o de Santarém os mais preocupantes. "Em todas estas operações, sobretudo nestes três teatros de operações, o grande desafio que temos tido é, de facto, conseguir criar aqui um equilíbrio entre aquilo que é o combate direto às diferentes frentes de incêndio e, em simultâneo, conseguir garantir toda a proteção necessária às localidades, às povoações que se localizam nas linhas de propagação do incêndio", sublinhou então Patrícia Gaspar, adjunta de operações da ANPC. Com Carlos Ferro e Pedro Sousa Tavares

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