Comandante da PSP do Porto apela ao reforço urgente de efetivos

Desde 2012, comando Metropolitano do Porto perdeu mais de 200 agentes. "Como se de repente tivéssemos encerrado mais de dez esquadras", diz o comandante

O comandante metropolitano do Porto da PSP alertou hoje para a necessidade urgente de reforço de efetivos daquela polícia, que tem menos agentes que em 2000 e já não consegue "fazer omeletas sem ovos".

"É no potencial e capital humano que sentimos os nossos maiores constrangimentos. Desde 2012 o Comando Metropolitano da PSP do Porto perdeu mais de 200 agentes, ou seja, é como se de repente tivéssemos encerrado mais de dez esquadras", afirmou Miguel Mendes durante a cerimónia comemorativa do 149.º aniversário daquela estrutura policial.

Salientando que o efetivo da PSP do Porto "é hoje inferior ao total do ano 2000", estando no nível mais baixo desde então, o responsável diz sentir "cada vez mais dificuldade em corresponder às solicitações dos autarcas, das autoridades judiciárias e dos cidadãos", sendo permanentemente necessário "fazer gestão de prioridades, até para ocorrências a que há uns anos acudia sem sobrecargas".

"Mesmo o nosso efetivo da Força Destacada da Unidade Especial de Polícia, que deveria ser uma unidade de reserva, está em sobrecarga permanente, mostrando que também nessa perspetiva carecemos de revisão e reforços dos seus efetivos", notou.

De acordo com Miguel Mendes, foi já anulado "todo o ganho que possa ter sido alcançado com a reorganização do dispositivo do Porto" operada há alguns anos, que levou ao encerramento de 11 locais de atendimento, sendo que, em contrapartida, cada vez mais a polícia é solicitada "para prevenção e proximidade, para cooperação e projetos especiais e para a intervenção criminal".

"A nossa capacidade de fazer omeletas sem ovos está a esgotar-se", alertou, referindo que, adicionalmente, "algumas instituições" fazem "sistemáticas tentativas" para "impor" à PSP "obrigações" que não suas.

E, se nos últimos cinco anos "a criminalidade geral apresenta tendência para diminuir e a criminalidade violenta e grave tem propensão para decrescer", o facto é que em 2015 houve "um aumento de cerca de 3% de ocorrências, sendo que a criminalidade violenta e grave aumentou cerca de 8%", tendo sido realizado "mais 9% de detenções".

Segundo o comandante da PSP do Porto, em 2015 registaram-se quase 100.000 acionamentos de carros-patrulha, o que corresponde a 274 por dia e 11 por hora, tendo sido realizadas quase 8.500 operações planeadas, correspondentes a cerca de 79 operações por mês em cada um dos nove concelhos abrangidos por aquele comando metropolitano.

A estes números somam-se 4.300 operações preventivas de segurança e fiscalização rodoviária, quase 40 por mês em cada concelho, e mais de 2.300 operações de fiscalização a estabelecimentos hoteleiros e similares, no âmbito das armas e explosivos e da segurança privada.

No que se refere à estrutura de investigação criminal, em 2015 concluiu mais de 8.600 cartas precatórias, quase 720 por mês, e mais de 11.200 processos-crime, quase 1.000 por mês.

No total, esta polícia técnica realizou nesse ano mais de 713 buscas das quais resultou a apreensão de "mais de meio milhão de euros em dinheiro" e de "mais de 100 viaturas, de 200 armas e de 700 detenções". Fez ainda perto de 2.800 inspeções judiciárias a locais de crime com 900 recolhas positivas, das quais resultou a identificação de 200 suspeitos.

Analisando os dados do primeiro semestre deste ano, Miguel Mendes disse que "a criminalidade violenta e grave recuou 24%, ainda que o número de detidos tenha descido perto de 9%".

Para além da falta de efetivos, o responsável policial apontou ainda as "dificuldades" sentidas pela PSP do Porto ao nível de instalações: "Há anos que se reportam os problemas da Bela Vista; continuamos com as incompletas instalações da Divisão de Trânsito, temos uma degradação assinalável e contínua do edifício de Oliveira do Douro, temos esquadras inadequadas...", referiu.

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