"Acreditação é importante para que os cidadãos tenham mais confiança nos serviços"

Alexandre Diniz, diretor do Departamento da Qualidade na Saúde, destaca as mais de cem unidades do SNS já com certificação, um processo que considera importante também para motivar os profissionais.

Quantas unidades de saúde já estão certificadas em Portugal?

Nós temos 112 unidades já certificadas por nós e temos 254 em processo de certificação.

Num total de quantas?

Ora bem, estamos a falar de cuidados primários, de cuidados continuados, de hospitais no seu todo e de serviços hospitalares e de departamentos hospitalares. Portanto, não lhe sei dizer. O que sei é o seguinte, é que há um movimento crescente, o aumento nos últimos dois anos foi brutal, tem havido um grande boom nos pedidos de certificação e nós temos estado a dar resposta, tendo em atenção que estes processos demoram cerca de um ano e meio.

A certificação tem três níveis e todos positivos, certo?

Bom, ótimo e excelente.

Portanto, a unidade ou não é certificada ou a partir do momento em que é certificada começa no nível bom

Depende dos standards que são cumpridos. Para conseguir ser certificada tem de ter 100% dos standards obrigatórios que dão o nível bom cumpridos e tem de ter ainda uma percentagem do nível a seguir cumprido. Para ter ótimo tem de ter 100% dos standards obrigatórios para o nível bom e 100% dos standards para o nível ótimo. Nós já temos uma USF com o nível ótimo e que está neste momento a trabalhar ativamente para rapidamente atingir o nível excelente.

Qual é?

É a de Valongo. Devo dizer-lhe que não há nenhuma em Espanha ainda. Claro que o nível de excelência é muito exigente, requer a existência já de investigação, projetos de investigação em curso, de publicações científicas em revistas indexadas, portanto tem todos os outros standards que estão para baixo mais os standards que visam a investigação e a inovação, o que é de uma exigência já muito grande. Porque é que nós optámos pelo modelo ACSA [de Agencia de Calidad Sanitaria de Andalucia]? Ora, não havia nada ou havia muito pouco em Portugal, nenhum país tem dinheiro para acreditar todo o parque de atividades público com sistemas comerciais. E portanto, nós aqui, só tínhamos uma opção: ou criávamos um modelo próprio como criou a França, como criou a Holanda

Que demora muito tempo....

Que demora muito - leva de quatro a seis anos -, ou tentávamos encontrar um modelo que nos fosse cedido que estivesse de acordo com a realidade da organização do sistema de saúde português. E pela pesquisa que fizemos o sistema que encontrámos que melhor respondia às nossas necessidades é o que é aplicado na Andaluzia. Isto implicou acordos políticos ao mais alto nível...

Com o Estado espanhol.

Sim, com o Estado espanhol. Estamos a melhorar o sistema em conjunto, portanto, o sistema hoje é partilhado, digamos assim, e nós, Direção-Geral da Saúde, ficámos com o usufruto da utilização deste sistema no país inteiro que é praticamente gratuito, há uma espécie de taxa que se paga mas que não visa o lucro, portanto é prestado por nós. Isto para recuperar o tempo perdido, porque é extremamente importante que a certificação seja feita - e há diferenças entre a certificação e a acreditação. O que é que distingue a acreditação da certificação? A certificação é a verificação de conformidades de acordo com uma norma estabelecida, os standards estão estabelecidos e verifica-se se está conforme ou não está conforme. A acreditação significa, dado o conhecimento público, que aquele serviço tem crédito. Isto é importante para quê? Para que os cidadãos tenham mais confiança nos serviços...

E nos próprios profissionais.

E é motivador para os profissionais também. E depois aquilo é um vício, aquilo é altamente viciante. Todas as pessoas com quem eu falo que sofreram um processo de certificação sofreram de facto no princípio, porque aquilo dá imenso, imenso trabalho e imenso desgaste, mas uma vez montado estão permanentemente a querer melhorar, entram num processo de melhoria contínua, e aquilo é viciante. E a realidade é que o número é exponencial, estamos a aumentar brutalmente o número de unidades que estão em processo de certificação, 72 destas 254 são centros de referência, o que é muito curioso, já estão em processo de certificação 72 centros de referência, dos quais oito até já estão acreditados.

As 112 foram em quanto tempo?

O programa começou quando foi criado o departamento, em 2010, mas primeiro foi preciso preparar os auditores, portanto, na realidade, o grande desenvolvimento foi nos últimos dois, três anos. Eu devo dizer que nos últimos dois anos entraram em processo de certificação 135 novas unidades e foram certificadas 88, o grande boom foi feito nos dois últimos anos, em que já temos auditores formados em número suficiente e também os serviços estão mais despertos para solicitarem eles próprios a acreditação, uma vez que a acreditação não é obrigatória, é voluntária. Mas cada vez mais já reconhecem que têm necessidade. E a avaliação que temos feito e o grau de satisfação destes serviços é grande. No caso dos hospitais, se nós acreditarmos por serviço ou por departamentos, criamos um movimento que é muito do agrado dos portugueses que é o "tu estás, eu também queria estar", por isso há o efeito de pedra no charco.

Concorrência, quase.

Exatamente. Eles sentem a necessidade de também entrarem neste processo, e depois o grau de satisfação é enorme. E nós ficámos muito contentes porque, de facto, o Ministério da Saúde tomou a decisão certa em relação a este modelo, até tendo em conta a criação das redes europeias de referência pela Comissão Europeia.

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