A situação assusta-os, mas não os tira dos cursos de jornalismo

Três estudantes viram o panorama de precariedade traçado, mas o painel "Novos Projetos" deu-lhes alento

O dia de ontem no 4.º Congresso de Jornalistas, o primeiro desde 1998, começava com Miguel Crespo, investigador do Centro de Investigação e Estudos de Sociologia-ISCTE a apresentar o estudo Os jornalistas portugueses são bem pagos? A plateia, composta por vários jovens estudantes de jornalismo, ouvia que 33,4% dos jornalistas não tem contrato fixo, que 63% trabalha mais do que 40 horas semanais, que mais de 80% não progride na carreira há mais de quatro anos, ou que 57,3% deles recebem menos de mil euros por mês (embora o rendimento mensal médio líquido seja de 1113 euros).

Todavia, os dados -e é justo dizer que 60,2% dos cerca de 1500 inquiridos voltaria a escolher esta profissão - não demovem Sara, estudante do primeiro ano de Ciências da Comunicação na Universidade Nova de Lisboa. "Assusta, não tinha esta noção do jornalismo, não tinha noção de que a profissão fosse tão precária." Mas deu-lhe alento, contou ao DN, assistir ao painel "Novos projetos" que ontem reuniu António Costa, diretor do ECO, o jornal de economia online que conta três meses, José Manuel Fernandes, do Observador, que em maio fará três anos, Pedro Rios, editor do site da Rádio Renascença, Rute Sousa Vasco, do site Sapo 24, Helena Geraldes, da Wilder, revista especializada em Natureza, Samuel Alemão, do jornal O Corvo, com histórias da cidade de Lisboa, e Sofia da Palma Rodrigues, da magazine digital Divergente (Bagabaga Studios) .

"Há aqui um lado de muro das lamentações", referiu José Manuel Fernandes em relação à forma como a realidade da situação tem sido apresentada no congresso. No debate moderado por José Alberto Carvalho, António Costa acabaria por lhe dar razão, pondo a tónica na "vontade de fazer" que levou à criação do ECO e que rege muito do que é feito no jornalismo atualmente. "O que se percebe neste congresso é a vontade dos mais novos de fazer, de querer entrar na profissão", alvitrou, acrescentando depois ver "uma geração muito mais preparada do que havia" quando entrou no jornalismo. Daqueles que tem visto passar pela nova redação, diz ter "uma experiência muito positiva" no que diz respeito à "capacidade de resposta e de aprendizagem" da nova geração.

Também Bárbara e Duarte, dois estudantes ouvidos pelo DN, afirmam ter saído com uma visão mais positiva do futuro depois de assistirem ao painel "Novos projetos". Nenhum dos dois lê jornais em papel. "Não gosto muito do papel, prefiro abrir o tablet e poder aceder sem limitações a qualquer jornal. Acho que é da nossa geração", diz ele. E de facto, quando a ideia de fazer um jornal apenas online surgiu a José Manuel Fernandes esta era, disse ele, "uma quimera".

Bárbara reiterou a ideia de que o futuro não será fácil. "Estou aqui mesmo para ter a certeza de que é isto que quero." E concluiu que sim.

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