"'Oceanos, património para o futuro'. Passados 20 anos, esse património foi um pouco mal tratado"

Dina Dias, 43 anos, assistente social, Faro

A primeira coisa que me veio à cabeça ao olhar para o Gil e para o tema lançado para a Exposição Internacional de Lisboa 1998 - Expo 98, "Oceanos, um património para o futuro", é que agora, passados 20 anos, esse mesmo património foi um pouco mal tratado durante este período.

No entanto, lembrar a Expo 98 traz-me simultaneamente recordações muito boas: no caso, a responsabilidade que foi naquele ano para mim viajar do Sul do país rumo à capital com um grupo de crianças com idades compreendidas entre os 12 e os 17 anos, que integravam na altura uma instituição em Beja (Fundação Manuel Gerardo de Sousa e Castro), na qual me encontrava a fazer estágio curricular de 3.º ano do curso de Serviço Social.

Lembro-me da dificuldade de tentar visitar com aquele grupo de jovens o maior número de pavilhões, conjuntamente com milhares de pessoas. Para além do calor que se fazia sentir, parecia que a temperatura aumentava sempre que uma das miúdas ia à casa de banho e tínhamos de voltar a contar bonés (cabeças) para ver se estava toda a gente. Foi uma experiência que os marcou certamente, pela liberdade de se molharem nos vulcões e pelas inúmeras viagens pelo mundo que puderam fazer sem saírem de uma única cidade, que foi Lisboa.

A 22 de maio de 1998 abriu portas em Lisboa a Expo'98, com o tema "Os oceanos: um património para o futuro". Até ao dia 30 de setembro, Portugal mostrou ao mundo o resultado da requalificação de uma zona da capital que estava degradada: foi ali, onde hoje é o Parque das Nações, que nasceu uma das melhores exposições mundiais realizadas até à altura. O recinto recebeu mais de dez milhões de visitas e diariamente havia uma novidade para descobrir, fosse nos pavilhões dos países representados, fosse nos locais onde decorriam espetáculos, concertos ou desfiles. Além dos pavilhões temáticos, alguns com filas onde as pessoas esperavam longos minutos para entrar.

São essas experiências que o DN vai recordar diariamente, com testemunhos de quem ali esteve de visita ou fazendo parte dos espetáculos.

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