A taxa de participação eleitoral nas freguesias que tiveram de adiar o voto na segunda volta das presidenciais, devido aos efeitos do mau tempo, superou os 33%. Ou seja, apesar de já se saber que António José Seguro tinha sido eleito uma semana antes, mais de um terço da população inscrita para votar nestas freguesias fez questão de ir às urnas no domingo, dia 15 de fevereiro, exercer o seu direito, atenuando o efeito de desmobilização que já se esperava.Ao todo, foram 17 freguesias que adiaram a votação – todas as dos concelhos de Alcácer do Sal (seis), Arruda dos Vinhos (quatro) e Golegã (três), mais quatro distribuídas pelos municípios do Cartaxo (Valada), Rio Maior (Alcobertas), Leiria (Bidoeira de Cima) e Salvaterra de Magos (precisamente a freguesia da sede do concelho). No seu conjunto, contabilizavam 35.852 eleitores inscritos. De acordo com os dados publicados pela Secretaria-Geral do Ministério da Administração Interna, que serviram de base a esta análise d DN, 12.050 quiseram votar nesta segunda volta, o que corresponde a 33,61% do total de inscritos. Naturalmente, tendo em conta que o seu voto em nada alteraria o desfecho do sufrágio, a taxa de participação foi inferior à registada na primeira volta, quando atingiu 63,98% nestas freguesias (22.938 votantes), cifra que superou até os 61,50% registados na totalidade do território nacional – quando incluídos os 107 consulados, a taxa baixa para 52,26%.Além destas 17 freguesias, houve mais três onde o processo eleitoral só foi concluído no domingo, neste caso porque faltavam os votos em três secções, situadas nos concelhos de Santarém e Rio Maior. As três secções, em conjunto, contabilizavam o número redondo de 1000 eleitores inscritos. Nestas três freguesias, tendo em conta que esmagadora maioria da população já havia votado uma semana antes, não ficou patente o efeito de desmobilização eleitoral, tendo todas superado os 50% de taxa de participação na segunda volta.Reforço da votação de António José Seguro Mesmo que o desfecho principal das eleições não tenha sofrido alteração, a verdade é que os 12.050 eleitores que quiseram votar nestas freguesias acabaram por consolidar o triunfo de António José Seguro. O Presidente da República eleito foi o mais votado em todas e os votos amealhados no passado domingo permitiram-lhe superar os 3,5 milhões.No concelho de Alcácer do Sal, Seguro teve mais eleitores a votarem em si do que no primeiro sufrágio (passou de 2000 para 2092), o inverso do que aconteceu ao líder do Chega (passou de 1446 para 551). E, desta vez, venceu em todas as freguesias. Na 1.ª volta, André Ventura tinha ganho na Comporta, mas agora passou de 199 votos para apenas 80, enquanto Seguro aumentou de 175 para 182. Já em São Martinho, a primeira volta tinha ficado marcada por um empate entre Seguro e António Filipe, ambos com 30,84% – 66 votos. Agora, sem o candidato comunista no boletim de voto, Seguro disparou para 91,18% com um total de 124 votos (Ventura obteve apenas 12, menos 24 que primeiro sufrágio, a 18 de janeiro).Também em Arruda dos Vinhos, se verificou um aumento do número de votos em António José Seguro na comparação com a primeira volta (passou de 2637 para 3143) e um recuo de André Ventura (de 1768 para 1196). A quebra do líder do Chega na segunda volta foi ainda mais notada da Golegã, concelho onde havia liderado no primeiro sufrágio e que agora perdeu para Seguro. Salvaterra de Magos e Alcobertas, em Rio Maior, foram outras freguesias em que o Presidente da República eleito conseguiu destronar Ventura no topo das preferências dos eleitores.Ainda na noite de domingo, António José Seguro recorreu às redes sociais para agradecer aos eleitores que só puderem votar mais tarde. “Saúdo todos os eleitores que hoje foram votar e que não o puderam fazer no domingo passado. A democracia vive da participação de todos nós. Cada voto é uma afirmação de liberdade, de responsabilidade e de esperança no futuro. (...) A democracia constrói-se todos os dias. E hoje, mais uma vez, esteve viva”, escreveu. André Ventura também se dirigiu aos eleitores nas redes sociais: “A todos os que votaram – hoje e há uma semana –, especialmente aqueles que o fizeram em circunstâncias difíceis, obrigado por acreditarem num país diferente”.Mais dadosSeguro superou 3,5 milhões de votos: Com a realização da segunda volta nas freguesias que haviam adiado a votação, António José Seguro amealhou votos suficientes para ultrapassar os 3,5 milhões. Ao todo, o Presidente da República eleito somou 3.505.846 (66,83%), segundo os dados finais provisórios da Secretaria-Geral do Ministério da Administração Interna. Há uma semana, Seguro tornara-se no Presidente eleito com o maior número de votos expressos em 50 anos de democracia, ao superar os 3.459.521 de Mário Soares nas eleições de 1991. No entanto, ficou atrás dos 70,3% na reeleição de Mário Soares (o recorde).Só dois concelhos preferiram ventura: Na segunda volta, António José Seguro foi o candidato mais votado em 306 dos 308 concelhos nacionais. As duas exceções foram Elvas e São Vicente, que votaram maioritariamente em André Ventura. No concelho do distrito de Portalegre, o líder do Chega obteve 50,85% dos votos contra os 49,15% de Seguro – uma diferença de 159 votos. Já em São Vicente, na Madeira, 53,92% deram o triunfo a Ventura. Foram 1540 votos, mais 224 que Seguro (46,08%). Ventura fechou a segunda volta das presidenciais com 33,17%, correspondentes a 1.739.745 votos. Foram mais 421.803 do que somara na primeira volta.Taxa de participação ficou nos 50%: A taxa de participação na segunda volta atingiu os 50%, tendo votado 5.519.808 dos 11.039.672 eleitores inscritos. Na primeira volta, a percentagem dos que se dirigiram às urnas foi maior: 52,26%. Nesta segunda volta, 175.508 eleitores (3,18%) escolheram votar em branco, mais do dobro do que aconteceu na primeira: 61.237 (1,06%). O número de votos nulos também aumentou de 65.386 (1,13%) para 98.709 (1,79%)..Quem são os conselheiros de Seguro: Saúde e diplomacia em destaque.Partido Socialista não entra em Belém, mas confia que Seguro ajude no aumento negocial com Governo