O líder do Chega, André Ventura, desafiou esta quarta-feira, dia 18 de fevereiro, o primeiro-ministro Luís Montenegro a anunciar o novo responsável pelo Ministério da Administração Interna no debate quinzenal que irá decorrer nesta quinta-feira, 19 de fevereiro, na Assembleia da República, após dois adiamentos provocados pelos efeitos do mau tempo."Esperamos que às três da tarde haja novo ministro", disse Ventura, no final de uma reunião do Governo-sombra do Chega que foi dedicada a analisar as falhas na resposta do Executivo face à sucessão de tempestades que assolaram Portugal. E que levaram a ministra da Administração Interna, Maria Lúcia Amaral, a demitir-se no início da semana passada, alegando não ter "condições políticas e pessoais" para exercer o cargo, acabando por ser substituída de forma transitória pelo próprio primeiro-ministro.André Ventura defendeu ser "importante que houvesse alguém para gerir a pasta", tendo em conta as necessidades de mobilização de meios e canalização de apoios. "Num momento de crise, o Governo deve estar preenchido e capaz de tomar decisões", reforçou o líder do Chega, na sede nacional do partido, rodeado por elementos do Governo-sombra que criou no ano passado.Antecipando a sua intervenção no debate quinzenal com o primeiro-ministro, Ventura disse que apelará a Luís Montenegro para que o estado de calamidade se prolongue em muitos dos concelhos afetados pelos fenómenos meteorológicas que provocaram destruição devido à força do vento e à subida do nível das águas. .Chega defende prolongamento da situação de calamidade e da isenção de portagens.E, na medida em que "os orçamentos de alguns municípios são inferiores aos prejuízos já calculados a estas horas", o líder do Chega admitiu abertura do seu partido para a viabilização de um Orçamento Retificativo, desde que circunscrito aos efeitos do mau tempo. "É importante compreender que temos municípios e freguesias com um nível de prejuízos avassalador", reiterou, ressalvando que ainda não houve "nenhuma conversação" com o Governo nesse sentido.Pelo contrário, no que toca à proposta dos partidos de esquerda para que o lay-off seja pago a 100% nas zonas mais afetadas, Ventura recordou que o Governo tinha prometido que assim seria, recuando posteriormente para dois terços. "Não podemos dar às pessoas um sinal e depois fazer o seu contrário", disse, admitindo que o Chega viabilize essa proposta.Ministro-sombra critica "eficácia das mensagens"A conferência de imprensa na sede nacional do Chega serviu para o ministro-sombra da Administração Interna, Fernando Silva, partilhar as conclusões de uma reflexão sobre "uma das mais grandes crises" vividas em Portugal. Quanto à demissão de Maria Lúcia Amaral, disse que "revelou sinais de fraqueza, de fragilidade e de fracasso", admitindo que a antiga responsável "quis fugir ao escrutínio" da Assembleia da República.No entanto, o ministro-sombra do Chega realçou que as falhas não se circunscreveram à ex-ministra, tendo a ver com todo o Executivo, pelo que "as populações ficaram sozinhas e entregues a si próprias".Admitindo que o Governo não poderia "tentar segurar as tempestades com as mãos", Fernando Silva questionou a eficácia das mensagens que foram enviadas aos portugueses antes da chegada das tempestades e o facto de o Executivo não ter ido "de imediato para as zonas afetadas". "Quando o fez, fê-lo tardiamente", acrescentou quem veio dizer que, da parte do Governo-sombra do Chega, "nunca se contará com críticas no sentido desconstrutivo, nem com um discurso fácil e demolidor"..Dívidas de empresas e famílias nas regiões da calamidade ascendem a 32 mil milhões de euros