Rio deverá tentar a ponte com Rangel mas para órgãos nacionais

As listas apresentadas pelas distritais vão ser mexidas "com equilíbrio" pela direção do partido. E há quem considera que já não há tempo para acordos pré-eleitorais com o CDS.

O líder do PSD deverá tentar a ponte com Paulo Rangel, que derrotou nas diretas de sábado passado, mas para as listas aos órgãos internos do partido e mais próximo do congresso marcado para os dias 17, 18 e 19 de dezembro, em Lisboa. O DN apurou que Rui Rio poderá convidar o eurodeputado a encabeçar os nomes para o Conselho Nacional, numa lista conjunta. O que aconteceu quando disputou a liderança com Pedro Santana Lopes, em 2018.

Esta aproximação visaria dar um sinal de unidade do partido. Fontes do PSD disseram ao DN que ambos almoçaram esta semana e terão trocado impressões sobre os próximos desafios do partido. Recorde-se que Rui Rio elogiou a "forma digna" como Paulo Rangel assumiu a derrota nas diretas, ao manifestar-se disponível para os próximos combates que o partido tem de travar.

Quem tem estado a receber os nomes indicados pelas distritais do PSD e a reunir com as estruturas, o que acontecerá até este sábado, é uma equipa formada pela direção nacional e constituída por Salvador Malheiro, vice-presidente do PSD e que foi o diretor de campanha de Rio, José Silvano, secretário-geral, Paulo Mota Pinto, presidente da Mesa do Congresso e Francisco Figueira, secretário-geral adjunto. Foi público e notório que existe alguma tensão entre a direção do PSD e algumas distritais, como a do Porto e de Lisboa, que apresentaram quase exclusivamente nomes de militantes que apoiaram Paulo Rangel. A ponto de fontes da direção terem considerado esta decisão uma "afronta".

O que foi rejeitado quer por uma quer por outra das distritais. A de Lisboa, presidida por Ângelo Pereira, devolveu mesmo a acusação. Fonte da direção da distrital de Lisboa do PSD disse ontem à Lusa que "não houve exclusão de qualquer nome", tendo sido aprovadas as indicações das concelhias e da organização distrital, e que foram apresentadas na quarta-feira à CPN, como determinam os estatutos e o cronograma aprovado pela direção. "O que se sente da parte da CPN é que querem excluir quem não os apoiou", refere.

A mesma fonte garantiu à Lusa que também foram indicados apoiantes de Rui Rio como Alexandre Simões ou Américo Vitorino nas propostas de Lisboa para candidatos a deputados para as legislativas de 30 de janeiro.

E embora exista esta fricção entre a direção e algumas distritais que apoiaram Paulo Rangel, a verdade é que Rui Rio terá de fazer os ajustes nas listas de forma equilibrada. Fonte da sua direção lembrou ao DN que o líder do PSD não tem maioria no Conselho Nacional, onde os nomes terão de ser aprovados. Sendo que os presidentes das distritais são conselheiros e têm direito de voto.

A Comissão Política Nacional reúne na próxima terça-feira, horas antes do Conselho Nacional, para aprovar a versão final das listas de candidatos.

Os cabeças de lista são uma prerrogativa do presidente do partido e Rui Rio ainda não revelou as suas escolhas à sua direção. Mas fala-se da possibilidade de Ricardo Batista Leite, que encabeçou a lista do PSD à Câmara de Sintra, vir a liderar a de Lisboa. E a do Porto ser mesmo encabeçada por Rui Rio.

A acontecer, seria uma opção diferente da que tomou em 2019, quando escolheu um jovem, Hugo Carvalho, para ser o número um na do Porto.

Coligação com o CDS?

Outra das questões que não estava fechada ainda era de uma possível acordo pré-eleitoral com o CDS. O que foi defendido por Rui Rio, já que o líder do PSD entende que se o CDS for sozinho a eleições corre o risco da irrelevância e considera que isso é mau para a democracia. Mas na Comissão Política da semana passada houve várias vozes contra esse entendimento, mas se o líder insistir levar por diante terá condições para levar avante a proposta ao Conselho Nacional.

Mas fonte do PSD lembra novamente que a maioria do CN também se manifestou contra essa possibilidade e Rui Rio não pode correr o risco de ver chumbada uma proposta a tão pouco tempo das eleições.

Além disso, argumenta que "há falta de tempo" para concretizar a eventual coligação e até as listas conjuntas, isto porque se as listas de deputados têm de ser entregues nos tribunais a 20 de dezembro, a formalização de uma coligação tem de ser muito tempo antes. "Já não há tempo e Rui Rio deve deixar cair essa hipótese", diz a mesma fonte.

Afirma ainda que o CDS quando fala de uma coligação "parece a rainha da Inglaterra, sempre a colocar-se numa fasquia mais alta do que conseguiu". E isso, sublinha, causa mal estar no partido. "A existir um acordo pré-eleitoral, o PSD só teria que lhes dar cinco lugares elegíveis, que são precisamente os que têm no Parlamento, mas sempre pareceram querer mais..."

paulasa@dn.pt

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