Quem são as figuras que vão ajudar Montenegro a tentar reerguer o PSD?

O presidente eleito do PSD tem um conjunto fiel de apoiantes com os quais contará certamente a partir de julho, a começar pelo antigo líder parlamentar Hugo Soares. Mas também Joaquim Sarmento, Carlos Coelho e Margarida Balseiro Lopes, entre outros.

Luís Montenegro foi eleito no sábado líder do PSD por uma margem esmagadora de 72,5%. Mas no trajeto para a sua vitória - que começou a desenhar-se quando pôs em causa a liderança do Rui Rio, logo em 2020 - contou com o apoio de "companheiros" de partido que certamente serão figuras chave na direção que irá escolher e nos vários órgãos do PSD. A começar por aquele que é visto como o seu braço-direito, Hugo Soares. Este bracarense, de 39 anos, que liderou a JSD e lhe sucedeu na liderança da bancada parlamentar em 2017, é uma das figuras mais próximas do líder eleito do PSD. Esteve sempre do seu lado nas guerras internas contra a direção de Rio.

Ao DN, Hugo Soares garante que há dois grandes desafios que se colocam a Luís Montenegro e que foram os que tornou claros durante a campanha interna, numa corrida em que Jorge Moreira da Silva saiu derrotado. Primeiro o da "união do partido" que, diz o antigo líder parlamentar social-democrata, está facilitada pelo resultado obtido por Montenegro.

"Nos últimos atos eleitorais internos, o partido ficava dividido, em 50 e tal por cento para o candidato que ganhava e 40 e tal para o que perdia. Agora foi um resultado esmagador, o que mostra que o partido está unido em torno do líder". A isto, Hugo Soares soma as declarações do próprio líder eleito quando disse querer "gerar essas pontes internas".

Hugo Soares terá, certamente, um papel importante a jogar naquele que elege como o segundo desafio da liderança de Montenegro: "É o mais difícil, o de colocar o PSD a fazer oposição firme, determinada e alternativa ao PS".

O antigo eurodeputado do PSD Carlos Coelho, que foi escolhido para diretor da campanha, também assume protagonismo na nova era PSD. O sucesso da volta pelo país, patente na votação "expressiva" em Montenegro, também é mérito seu. Carlos Coelho tinha sido relegado para um segundo plano quando nas europeias de 2019 Rui Rio decidiu colocá-lo em lugar não elegível nas listas do PSD para o Parlamento Europeu. O que foi considerado internamente uma "injustiça", já que tinha sido um dos eurodeputados sociais-democratas mais ativos ao longo dos anos, sendo que também é o diretor da Universidade de Verão do PSD, que marcou nos últimos anos a rentrée política do partido.

Das figuras que estiveram ao lado de Rui Rio há uma que foi resgatada por Montenegro e com a responsabilidade de coordenar a sua moção de estratégia. Precisamente Joaquim Sarmento, membro da Comissão Política do partido e coordenador do Conselho Estratégico Nacional. Sarmento, agora deputado, já tinha sido o coautor do programa económico e financeiro do PSD e mandatário nacional de Rui Rio nas legislativas de 2019. É uma figura que será certamente central na rearrumação do partido, que será feita no congresso de legitimação da nova liderança a 1, 2 e 3 de julho, no Porto.

Figuras centrais

Mas se pelos cargos na campanha estes foram os rostos mais visíveis, há outros apoiantes de primeira linha com os quais Montenegro conta. Pedro Duarte, antigo líder da JSD e fundador do movimento cívico Manifesto X, e que foi várias vezes falado como potencial candidato à liderança do partido, é um deles.

Mas também os líderes de duas das maiores distritais do PSD, Pedro Alves (Viseu) e Paulo Cunha (Braga), serão peças importantes nesta nova era montenegrista. Pedro Alves apoiou Rui Rio quando avançou pela primeira vez para a candidatura à liderança do partido, mas distanciou-se logo a seguir e esteve ao lado de Montenegro quando este entrou na corrida em 2020, tendo sido seu diretor de campanha. Paulo Cunha, que esteve equidistante na disputa entre Rio e Rangel, deu agora claro apoio a Montenegro. Tal como tinha feito em 2020, tendo mesmo encabeçado a lista ao Conselho Nacional afeta ao agora líder eleito do PSD.

Fontes sociais-democratas acrescentam ainda outros nomes a este núcleo duro: o antigo deputado e secretário de Estado da Administração Interna, António Leitão Amaro, que foi coordenador da moção de estratégia em 2020, terá um papel a desempenhar no PSD sob a batuta de Montenegro, o que acontecerá também com a sua constante apoiante Margarida Balseiro Lopes, ex-líder da JSD e ex-deputada, que nunca escondeu as suas críticas à liderança de Rui Rio e esteve sempre ao lado do presidente eleito do partido. Na corrida entre Rui Rio e Paulo Rangel a sua opção foi pelo eurodeputado social-democrata e, em entrevista ao DN, admitiu que as suas opções a conduziram à saída do Parlamento.

Pedro Reis, ex-presidente Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal (AICEP), é outro dos apoiantes com quem Montenegro contará para os seus órgãos nacionais.

Luís Montenegro conta ainda, entre outros, com Rui Rocha, antigo líder da distrital de Leiria do PSD, e com Gonçalo Saraiva Matias, consultor jurídico da Casa Civil do Presidente da República.

O presidente social-democrata eleito no sábado, assumiu no discurso da vitória que conta com os que estiveram ao lado de Jorge Moreira da Silva e até com a colaboração do próprio opositor. Posição que Moreira da Silva declinou, argumentando com as diferenças de pensamento e de projetos políticos para o partido e o país. Até ao início de julho, altura da reunião magna em que serão eleitos os órgãos nacionais, Montenegro tem bastante tempo para pensar a equipa que quer constituir no partido.

Na próxima semana reúne já com o líder parlamentar, Paulo Mota Pinto, sem ter aberto o jogo sobre se pretende contar com a sua continuidade à frente da bancada social-democrata.

paulasa@dn.pt

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