PSD. Convenção Acreditar para 2024, ano de europeias

Pedro Reis, coordenador do Movimento Acreditar, diz que terá equipa própria para criar maior ligação do partido à sociedade e preparar as bases de um futuro programa eleitoral.

Luís Montenegro chamou-lhes os "estados gerais" do PSD, mas o coordenador do Movimento Acreditar prefere chamar-lhe Convenção Acreditar. Pedro Reis vai preparar durante dois anos a iniciativa daquela que é a "plataforma estratégica" para "reconectar o partido" à sociedade e gerar uma alternativa ao governo socialista.

O antigo presidente da Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal saiu do congresso do PSD, que terminou no passado fim de semana no Porto, com esta missão, que irá além da Convenção e que acompanhará a liderança de Luís Montenegro, se for reeleito daqui a dois anos, até às legislativas de 2026.

"Há a perceção da nova liderança do PSD e em todos nós que é preciso abrir o partido à sociedade, ao país e ao mundo. Não se trata de termos perdido todo o contacto, mas os resultados eleitorais mostraram que é preciso fazer muito mais", afirma ao DN.

Pedro Reis, que terá assento na Comissão Permanente do PSD, ou seja no núcleo duro de decisão do partido, diz que "é preciso ir ao centro das preocupações das pessoas e às novas temáticas", pelo que o Movimento Acreditar terá esse papel. "Será uma plataforma muito ágil e muito focada para conseguir imprimir mais energia ao PSD", afirma o coordenador do Movimento, que admite que só é possível desenvolver todo o trabalho com uma estrutura própria, embora sempre em articulação com o Conselho Estratégia Nacional (CEN) - que agora é liderado por Pedro Duarte, antigo líder da JSD e secretário de Estado da Juventude e que lançou, em 2018, o Manifesto X, um movimento para pensar o país - e com o Instituto Francisco Sá Carneiro, que é presidido pela eurodeputada Maria da Graça Carvalho (mas do qual Pedro Reis também foi presidente).

O trabalho do Movimento Acreditar "será muito virado para fora", ainda que em estreita articulação com a direção nacional do PSD. O objetivo é colher ideias e testar outras, ouvir a sociedade civil, "detetar talentos" e culminar no trabalho de elaboração das bases de um programa de governo.

Pedro Reis sublinha que o CEN "foi um viveiro de ideias que podem ser testadas, mas que acabaram por não ser discutidas internamente".

Os dois anos de trabalho até à Convenção que quer organizar justificam-se, diz Pedro Reis, porque se entra na segunda fase da legislatura, onde já é possível apresentar ideias consolidadas ao país, e é próximo do calendário europeu. Ou melhor dito, das eleições para o Parlamento Europeu, o primeiro grande desafio eleitoral com que Luís Montenegro se confrontará.

Até lá será promovido um "denso" programa de reuniões e encontros com uma base mensal durante os dois anos, em vários modelos para abordar temas como sustentabilidade, infraestruturas, saúde, desafios do Mar, entre outros, mobilizando os interlocutores das áreas. "O desafio é encontrar quais as vozes melhor colocadas para espelhar essas matérias", frisa.

O coordenador do Movimento Acreditar diz querer introduzir "muita plasticidade" à plataforma para se ir adaptando às necessidades do PSD. Por exemplo, a semana que Luís Montenegro prometeu passar em cada distrito do país a partir de setembro será acompanhada de perto. "Vamos aproveitar as sinergias do partido, apesar de ir ter uma equipa própria", assegura.

Em 1995, os Estados Gerais para uma Nova Maioria ajudaram o PS e António Guterres a chegar ao governo após a década de poder cavaquista. José Sócrates repetiu a fórmula, apenas mudou o nome para Novas Fronteiras, e o PSD de Passos chamou-lhes Mais Sociedade, liderado pelo gestor Miguel Carrapatoso.

paulasa@dn.pt

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