Para Moreira da Silva "retórica" sabe a pouco para uma oposição firme

De Mirandela a Viseu, passando pelo Porto. Moreira da Silva arrancou a última semana de campanha a pedir aos militantes que "votem em causas" e não em pessoas.

A reta final da campanha de Jorge Moreira da Silva começou no norte do país, onde ouviu militantes jovens e menos jovens. Ao DN, disse estar "muito confiante" para as eleições de sábado.

Quando chegou ao Porto, o dia do candidato já trazia uma grande volta: começou em Mirandela, foi a Vila Real e a próxima paragem era ali, junto ao monumento em homenagem a Francisco Sá Carneiro, erigido na Praça Velasquez, na cidade Invicta, onde nada fazia prever uma ação política: no jardim, pessoas passeavam cães, crianças jogavam à bola e havia apenas quem passasse por ali numa tarde de fim de semana.

No arranque da última semana de campanha, Moreira da Silva tinha encontro marcado com cerca de duas dezenas de jovens que, sentados na relva debaixo de sol , ouviram as propostas que o candidato à liderança do PSD trazia na manga. "Não trouxe um discurso preparado", avisou desde logo, lembrando que o pretendido era "fazer uma conversa diferente do habitual". Tudo porque, disse, "dá outro dinamismo a estas coisas". Com este mote, começou por apresentar algumas propostas da sua moção à liderança do partido. O foco foi aquilo a que chamou "as políticas de juventude", que dizem respeito às alterações climáticas, ao emprego, à habitação e ao direito ao futuro (que dá o nome à campanha).

"Espero que no tempo que resta eu e o doutor Luís Montenegro possamos debater e esclarecer as nossas moções aos militantes."

Segundo Moreira da Silva os jovens são um dos principais motivos pelos quais se candidata. "E faço-o porque é possível fazer política para a juventude", disse, com a motivação a merecer resposta por parte da plateia. Sentado em frente ao candidato, um dos jovens disse que, quando soube que iria avançar e que o candidato estaria no Porto, fez "um apelo a que todos os jovens do distrito viessem ouvir e falar com ele." E Moreira da Silva não ficou indiferente: "Estou aqui para vos escutar e para falarmos porque estou disponível para ajudar a fazer parte da solução de futuro."

No final da apresentação das "políticas de juventude", não tardaram em chover questões. Sentada na plateia, Raquel, natural do concelho de Baião, perguntou "que tipo de políticas acha que têm de ser aplicadas para reduzir as desigualdades entre quem quer estudar aqui [Porto] e no interior do país, porque é diferente estar num grande centro urbano ou no meio de Portugal". A resposta veio logo a seguir... com uma farpa ao passado recente do PSD. "O partido tem usado e abusado da palavra coesão e a realidade é esta: não há um plano para fixar os jovens no interior", começou por dizer, concluindo: "A falta de coesão é, na verdade, um problema para o país como um todo." Por isso, Moreira da Silva propõe algo que considera ser "revolucionário". "Vamos passar a dar valor às coisas. Uma árvore, por exemplo, tem um valor correspondente à matéria-prima que produz: pasta de papel, madeira, absorção de CO2. E é isso que temos de começar a contabilizar, porque o interior tem muita capacidade de nos dar isso e é assim que temos de olhar para o país", explicou.

O mesmo argumento voltou a ser usado, mais tarde, em Viseu. Mas, horas antes de chegar ao centro do país, Jorge Moreira saiu do Porto rumo a Norte. A paragem foi em Arcos de Valdevez, onde, no Salão Nobre dos Bombeiros Voluntários, algumas dezenas de militantes ouviram as propostas do candidato. Daí, a comitiva seguiu para Viseu, onde chegou já de noite e com cerca de meia hora de atraso em relação à hora prevista.

No hotel Grão Vasco, no centro da cidade, o candidato tinha à sua espera cerca de uma centena de militantes, que encheram a sala. Entre eles, alguns rostos conhecidos: a eurodeputada Lídia Pereira, os deputados distritais Guilherme Dias e Pedro Alves, a candidata do PSD ao círculo da Europa nas últimas legislativas, Maria Ester Vargas, e até o autarca Fernando Ruas - que já anunciou que o seu voto irá para Luís Montenegro.

Depois de intervenções do mandatário para a juventude no distrito e da mandatária distrital, Moreira da Silva alongou-se mais no discurso do que fizera no Porto. Tal como na Invicta, houve espaço a perguntas, que percorreram temas tão vastos como a floresta ou a educação. Nas respostas, houve espaço para afastar o Chega de qualquer negociação ("O PSD não conseguirá a maioria absoluta que tanto precisa se não for coerente em relação à extrema-direita. Por mim, não há espaço para isso aqui") e para metáforas com ciclismo ("O partido tem de ser como no ciclismo. Podemos ter muitas bicicletas, mas só ganha o ciclista que tiver a melhor equipa por trás").

No final, Jorge Moreira da Silva disse ao DN que o dia, apesar de cansativo, "foi gratificante. Estou a notar que existe uma curiosidade com a candidatura" que mostram que a "solução" está do seu lado. "Estou muito confiante para a eleição e acho que os militantes vão-se mobilizar e votar em função da sua própria vontade e não em função do apoio declarado por dirigentes", apelou.

E, consigo, leva o sentimento de dever cumprido. "O que queria com esta campanha era mostrar que não basta escolher um líder de boas características retóricas. É preciso ser alternativa enquanto faz oposição firme, e já consegui mostrar isso", disse.

Para os dias que faltam, Moreira da Silva apelou, mais uma vez, ao debate. "Espero que no tempo que resta eu e o doutor Luís Montenegro possamos debater e esclarecer as nossas moções aos militantes", rematou.

rui.godinho@dn.pt

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