Nuno Melo vence Comissão Política com 75% dos votos

O eurodeputado sucede a Francisco Rodrigues dos Santos como líder dos centristas, no congresso que decorre em Guimarães. No discurso de vitória, Nuno Melo prometeu "uma oposição mais eficaz para que os portugueses tenham uma alternativa".

Nuno Melo foi este domingo eleito presidente do CDS-PP, depois de a sua Comissão Política Nacional obter 74,93% dos votos dos delegados ao 29.º Congresso nacional do partido, em Guimarães.

Os resultados foram anunciados pelo presidente da Mesa do Congresso, Martim Borges de Freitas, na abertura da sessão de encerramento. O anúncio foi feito pelas 14.15 horas, depois de os delegados terem votado para eleger os novos órgãos durante a manhã.

A lista do novo líder recebeu 858 votos, o que corresponde a 74,93%, e 287 votos em branco, de um total de 1145 votantes.

No discurso de vitória, no Pavilhão Multiusos de Guimarães, Nuno Melo deixou largas críticas ao governo de António Costa e à gestão da pandemia, referindo os "preconceitos ideológicos" existentes com o setor social e privado na saúde. Quanto à educação, o novo líder do CDS acusou o governo de matar a "democratização do ensino" e criar um "fosso social e formativo entre os alunos portugueses" e prometeu fazer do CDS "uma oposição mais eficaz para que os portugueses tenham uma alternativa".

Também a escalada dos preços foram destaque nas palavras do líder, que propôs soluções mediante uma conferência sobre inflação, poder de compra e produção industrial e alimentar.

Nuno Melo manifestou ainda o "orgulho" do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras e pediu que o governo "reverta a decisão da extinção do SEF" que considera "profundamente injusta".

Por fim, o presidente do CDS mencionou a invasão da Ucrânia pela Rússia, dirigindo uma mensagem de solidariedade à embaixadora daquele país e propôs medidas de auxílio aos refugiados, nomeadamente aos professores ucranianos, que "podem continuar a ensinar os alunos do seu país nos países de acolhimento", garantindo a "estabilidade" em contexto de guerra.

Pouco antes do encerramento das urnas, elementos da Juventude Popular distribuíram pelos lugares bandeiras do partido e daquela estrutura que represta os jovens do CDS-PP.

À medida que se aproximava a hora do anúncio dos resultados, os delegados foram entrando e tomando os seus lugares, mas tiveram de aguardar, dado que a sessão de encerramento estava prevista para as 12:30 mas começou com uma hora e meia de atraso.

O novo líder, Nuno Melo, entrou na sala às 14.00, tendo sido aplaudido de pé pelos congressistas. Minutos depois, o presidente do congresso pediu desculpa pelo "ligeiro atraso", justificando que se deveu à contagem dos votos.

Martim Borges de Freitas cumprimentou um a um os representantes dos partidos, do Governo e entidades presentes. No caso da embaixadora da Ucrânia em Lisboa, foi aplaudida de pé pelos congressistas.

Há dois anos, a Comissão Política Nacional de Francisco Rodrigues dos Santos, o líder cessante, recebeu 865 votos, o que correspondeu a 65,7%, e 451 votos em branco.

O novo líder dos centristas recebeu hoje o apoio de Paulo Portas, antigo presidente do partido."Decidi vir aqui hoje de manhã usar o direito de voto por inerência por ter tido esse cargo, nunca o tinha feito antes por imparcialidade, mas achei que eram circunstâncias absolutamente excecionais", disse, elogiando Nuno Melo por ter "um discurso de respeito por todos os passados do CDS". Portas desejou ainda "bom trabalho e eficácia nos resultados" a Nuno Melo na presidência do partido, e considerou que "todas as ajudas para poder reconstruir o CDS como instituição são bem-vindas".

No sábado, Nuno Melo já tinha recebido o apoio de outro histórico líder do partido: Manuel Monteiro.

Cecília Meireles e João Almeida fora da direção

Nuno Melo terá sete vice-presidentes na sua equipa, entre os quais Paulo Núncio, Telmo Correia e Diogo Moura, mas figuras como Cecília Meireles ou João Almeida ficaram de fora da direção.

Diogo Moura, vereador na Câmara Municipal de Lisboa, e Ana Clara Birrento, que foi candidata ao município de Setúbal nas autárquicas de 2017, foram acrescentados à lista de Nuno Melo para a Comissão Política Nacional, como vice-presidentes.

Este órgão conta com mais cinco vice-presidências escolhidas por Nuno Melo: Telmo Correia, Álvaro Castello-Branco, Paulo Núncio, Varandas Fernandes, Maria Luísa Aldim. Vânia Dias da Silva, que tinha sido anunciada na madrugada de domingo para este órgão, não integrará as listas, hoje afixadas à porta do Pavilhão Multiusos de Guimarães.

Do total de 60 elementos efetivos na Comissão Política Nacional, 41 são homens e 19 são mulheres (31%).

Pedro Morais Soares voltará a ocupar o lugar de secretário-geral e a médica Isabel Galriça Neto será a porta-voz do partido. Na coordenação autárquica ficou Mário Araújo e Silva.

Como vogais da comissão executiva, órgão mais restrito da direção, Nuno Melo escolheu António Marinho, Catarina Araújo, Duarte Nuno Correia, Durval Tiago Ferreira e Francisco Kreye.

Integram também a nova Comissão Política Nacional do CDS-PP, que será hoje eleita no 29.º Congresso, o antigo deputado Hélder Amaral, o líder da distrital de Lisboa, João Gonçalves Pereira, ou Nuno Trindade Gusmão (líder da concelhia de Oeiras).

Pedro Mota Soares foi indicado para presidente da Mesa do Conselho Nacional. Nuno Magalhães, João Rebelo, Alexandra Sofia Almeida e Júlio Purificação Sequeira são os primeiros nomes para vogais do órgão máximo do partido entre congressos.

Quanto ao Congresso, o presidente da Mesa será José Manuel Rodrigues. Pedro Moutinho vai liderar o Conselho Nacional de Fiscalização e António José Baptista o Conselho Nacional de Jurisdição.

Nas listas apresentadas por Nuno Melo aos órgãos nacionais não constam figuras que têm trabalhado com Nuno Melo ao longo dos últimos anos, como os ex-deputados Cecília Meireles (que segundo Nuno Melo não aceitou por razões profissionais) e João Almeida ou o antigo eurodeputado Diogo Feio, que quer manter-se nos próximos tempos como "militante base".

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