Luís Montenegro. "Não nos assustam maiorias absolutas"

O antigo líder parlamentar do PSD apresentou esta quarta-feira a candidatura à liderança do partido. "Sou candidato para ser primeiro-ministro de Portugal."

Na sede nacional do PSD, em Lisboa, Luís Montenegro posicionou-se na corrida à liderança do PSD com palavras fortes contra o governo socialista e com a promessa de que, se for eleito no dia 28 de maio, data das eleições internas no partido, fará uma oposição "implacável" ao governo. E devolvendo ao PSD o espaço de "centro-direita" que foi conquistado por outras forças nas últimas eleições, como a IL. "O PSD é o incumbente do espaço não-socialista".

"Portugal precisa de uma oposição implacável com os desvios do Governo. Uma oposição pronta para governar a qualquer momento". O antigo líder parlamentar do PSD fez apelo ao aviso que o Presidente da República fez ao primeiro-ministro no dia da tomada de posse do governo sobre as "tentações" de António Costa abandonar o mandato a meio para se candidatar a um cargo europeu. E foi muito claro: "Seria um cenário de eleições antecipadas inevitável".

Sobre as razões da sua decisão de avançar pela segunda vez na corrida à liderança - já o tinha feito contra Rui Rio em 2020 e perdeu -, afirmou que "resulta de uma ponderada reflexão e de uma convicção: sou capaz de unir o PSD e de o abrir à sociedade. O PSD só pode sobreviver e prosperar se souber atrair."

Luís Montenegro quis também dissipar dúvidas sobre a durabilidade do seu mandato, caso seja eleito pelos militantes sociais-democratas, perante os quatro anos de governo socialista. "Não nos assustam maiorias absolutas nem mandatos longos".

Afirmou ainda, numa intervenção de cerca de meia hora, que nesta nova legislatura há espaço para "mais esperança e tranquilidade", num momento em que é preciso "abrir um novo ciclo no PSD".

"Não nos assustam maiorias absolutas nem mandatos longos".

Os ataques aos governos socialistas seguiram-se. Recordou que nos últimos 27 anos, o PS governou 20 anos e o PSD apenas sete. "Não aceito que tenha de ser assim. Não tem de ser assim. Quero que os portugueses olhem para o PSD e não vejam apenas responsabilidade e rigor. O PSD é liberdade, modernidade, ambição, talento, igualdade de oportunidades."

O país, assegurou, vive há demasiado tempo amarrado ao socialismo, ao amiguismo, à subsidiodependência, rumo à cauda da Europa". O que é espelhado pelo facto de "estarmos a caminho da cauda da Europa, em que até a Roménia nos irá ultrapassar em breve no rendimento per capita.

"Portugal precisa de uma oposição implacável com os desvios do Governo. Uma oposição pronta para governar a qualquer momento".

"O socialismo está a nivelar a sociedade por baixo. As desigualdades aumentaram. O socialismo trouxe pobreza, dívida, imposto, clientelismo e um Estado social frágil e abandonado", disse e acrescentou: "o PS e o primeiro-ministro têm uma visão paliativa da governação, em que atiram dinheiro para os problemas sem os resolver".

Luís Montenegro apelou, num trecho do discurso mais programático, ao espírito reformista do partido e na necessidade de ir ao encontro dos jovens. "Somos um partido de solidariedade intergeracional".

Reconhecendo a crise gerada primeiro pela pandemia e agora pela guerra na Ucrânia - em que pediu ao governo que apoie os parceiros europeus e a NATO "sem tibiezas" na condenação contra os crimes de guerra e a barbárie -, o candidato à liderança do PSD apelou a que não se esqueçam os desafios das transição digital, energética e climática. Nesse sentido pediu "um pacto nacional" que envolvam órgãos de soberania, parceiros sociais e a academia.

"O socialismo está a nivelar a sociedade por baixo. As desigualdades aumentaram. O socialismo trouxe pobreza, dívida, imposto, clientelismo e um Estado social frágil e abandonado".

Montenegro defendeu também a reforma do sistema fiscal e a diminuição dos impostos, um Serviço Nacional de Saúde robusto e que permita que os portugueses recorram aos privados e ao setor social, a conciliação da vida profissional e pessoal e um plano nacional de recrutamento e acolhimento de imigrantes. "Não é retórica política e cuidar da competitividade e da sustentabilidade da Segurança Social".

Bateu-se ainda por uma "Administração Pública atrativa e eficiente", uma Justiça célere e acessível para todos, que não dê tréguas à corrupção" e um "Estado e num Governo que não mande nas pessoas".

Questionado pelos jornalistas no final da sua intervenção sobre o que faria enquanto líder do PSD perante a moção de rejeição apresentada pelo Chega ao programa de governo, Montenegro não quis responder, alegando que ainda não vestiu o fato enquanto os militantes não o elegerem. O mesmo disse sobre o que fará sobre a liderança da bancada - Paulo Mota Pinto é amanhã votado para presidir ao grupo parlamentar, depois de ter sido escolhido ainda por Rui Rio - quando for eleito.

Montenegro prometeu apenas um "trabalho muito profícuo com os deputados e com grupo parlamentar", afastando qualquer sombra de polémica. "Assistiremos a coordenação total", prometeu o candidato.

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