Livre vai ter pela primeira vez duas listas candidatas à direção nacional

Lista de Rui Tavares enfrentará oposição de grupo que pede mais democraticidade interna e mais empenho da direção na expansão territorial do partido.

Embora só tenha nascido em 2014, o Livre já realizou mais de uma dezena de congressos - e este fim de semana, em Coimbra, terá lugar mais um, o 12.º da história do partido. Tendo a organização conseguido manter-se no Parlamento, novamente com um deputado eleito - mas desta vez sem sombra de conflitos à vista com a direção, como aconteceu com Joacine Katar Moreira -, há uma novidade a marcar a realização da reunião magna do Livre: pela primeira vez a direção executiva será disputada por duas listas: a lista A, em que a figura de proa é Rui Tavares, e a lista B, onde se destaca Patrícia Robalo, uma antiga presidente da Assembleia do Livre (o "parlamento" do partido).

"Grupo de Contacto" é o nome que no Livre dão ao órgão máximo de direção executiva quotidiana. Tem 15 elementos e é eleito usando-se o método de Hondt: cada uma das duas listas concorrente terá uma representação no Grupo de Contacto proporcional ao peso eleitoral que obtiver no congresso do partido. A moção da lista A foi intitulada a "O Futuro nas nossas mãos". "Concretizar o Livre" é o título da moção da lista B.

Aparentemente, a principal marca da lista de oposição à de Rui Tavares reside em questões de organização e democraticidade internas. "O partido surgiu como um projeto inovador e radical em termos de organização interna [mas] infelizmente, esta aspiração tem estado distante de uma concretização plena", lê-se no texto da lista B. A atual direção é criticada por, nomeadamente, ausência de "atitude proativa" na expansão territorial do partido.

O primeiro dia do congresso, sábado, será dedicado à apresentação das moções de estratégia global, das listas candidatas à direção e ao Conselho de Jurisdição, intervenções dos candidatos à Assembleia, terminando com o início do processo eleitoral para os órgãos nacionais. Para domingo está previsto o debate e votação das moções de caráter específico, anúncio de resultados e os discursos de encerramento.

A última reunião magna realizou-se em dezembro de 2021, em Oeiras, com a aprovação da versão final do programa eleitoral apresentado nas últimas legislativas. No entanto, o último congresso eletivo foi há dois anos e ficou marcado pelo clima tenso entre a deputada Joacine Katar Moreira, então filiada, e o partido. As fraturas causadas pelo processo que levou à rutura do Livre com Joacine não terão, aparentemente, repercussão no congresso do próximo fim de semana. A página foi virada.

joao.p.henriques@dn.pt

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