Costa força PAN a reconhecer "distância" face ao PSD

Inês Sousa Real reconheceu em debate com o líder do PS que há propostas do PSD em relação às quais o PAN está "completamente distante".

O PAN tem-se afirmado sempre "equidistante" entre o PS e o PSD, dizendo que poderá viabilizar governos de um ou do outro partido. Este sábado, contudo, no frente a frente que manteve, na TVI/CNN, com a porta-voz do partido, o líder do PS conseguiu "puxar" o PAN para uma posição mais próxima de si, afastando-o do PSD de Rui Rio.

Depois de exprimir "dificuldade em compreender" que o PAN se afirme equidistante entre o seu partido e o de Rui Rio, António Costa atirou contra Inês Sousa Real uma suposta proposta "laranja" que liberaliza a plantação de eucaliptos e ainda uma outra muda a tutela governamental nas questões dos animais de companhia.

E aqui a porta-voz do PAN foi forçada a assumir que, nestas duas questões - eucaliptos e animais de companhia - o PAN "distancia-se completamente dessa visão para o país". "Estamos completamente distantes do PSD", disse a porta-voz do PAN.

Num debate cordato e sem que os intervenientes se tenham interrompido, foi permanente a afirmação das diferenças entre os dois líderes face às questões da transição climática.

Contudo, logo a abrir a conversa, António Costa não se esqueceu de salientar que, no Parlamento, "o PAN foi o único partido [além do PS] que não contribuiu para esta crise política absurda". Ou seja: recordou que o PAN não votou contra o OE2022, tendo-se antes abstido. "Temos tido um trabalho longo [com o PAN]. Fora alguns exageros, temos conseguido trabalhar de forma muito positiva", salientou o secretário-geral do PS.

Inês de Sousa Real aproveitaria a deixar para sublinhar que o PAN se coloca do lado da estabilidade e não da instabilidade. "Não contribuímos para esta instabilidade. Acreditamos que os portugueses não queriam esta crise política em cima crise económica."

Costa recusou explicitamente dizer se incluirá ou não o PAN numa solução governativa caso venha a precisar disso e Inês Sousa Real recusou explicitamente fazer disso uma exigência. Ambos reafirmaram a disponibilidade para entendimentos e, desta vez, o líder do PS não insistiu muito na ideia de que só se alcançará estabilidade governativa com uma maioria do seu partido nas urnas. Na verdade, só o disse uma vez, quando confrontavam ideias sobre impostos. "Espero que a seguir às eleições haja uma maioria para aprovar a revisão do IRS", disse o líder do PS, reiterando a proposta de criar mais dois escalões, proposta que caiu por terra quando o OE2022 foi chumbado.

Um tema de fratura entre os dois foi o da exploração do lítio (minério abundante nalgumas zonas do país e essencial, por exemplo, para as baterias dos carros elétricos, telemóveis, computadores, etc.).

Inês Sousa Real acusou o Governo de proteger a "opacidade dos contratos" assinados entre o Governo e as empresas que querem explorar o lítio. E também criticou que já haja empresas contratadas ainda antes de estarem concluídos os estudos de impacte ambiental (EIA).

Costa, na resposta, garantiu, insistentemente, que não haverá exploração se os EIA forem negativos. E assegurou também que as empresas contratadas não serão ressarcidas devido à impossibilidade, ditada por esses estudos, de prosseguirem o negócio. Mas se este puder avançar, a aposta nacional não poderá ser apenas na exploração, devendo depois industrializar-se até à fase da produção das baterias.

O líder socialista aproveitou ainda para criticar uma visão ambientalista estrita que quer transição ambiental mas depois se opõe à exploração do lítico: "Não pode haver transição energética sem lítio. Não se pode ter sol na eira e chuva no nabal."

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