Castelo de Paiva. Todos prometem o mesmo, o passado é que os divide

PSD arrasa os 12 anos de poder socialista. PS não esquece os 12 anos de gestão social-democrata. Saneamento que é "uma vergonha", emprego e habitação que "não existem" e consultas no médico com quatro meses de espera agitam campanha marcada pelo passado.

O retrato dos 12 anos de poder socialista feito pelo candidato social-democrata é "absolutamente negativo, o concelho não evoluiu". José Rocha sublinha a "vergonha que é o saneamento básico, é uma coisa digna de um país do terceiro mundo. A taxa de cobertura é de 18%, somos um dos piores do país, o último ou penúltimo. E isto é uma promessa socialista de 2009. A câmara tem um orçamento de 10 milhões, mas apenas gastou 60 mil euros no saneamento básico, não é uma opção deles. E a rede de abastecimento de água? A rede não abrange toda a população".

O candidato do PSD destaca, também, outro problema que considera "grave e que pode hipotecar o futuro" e abrir portas "à desertificação" de Castelo de Paiva. "Não se fez um único lote para habitação que é um problema grave no concelho. Começamos a ter problemas graves por não haver casas para alugar, vender nem lotes para construção. Há muita gente que está a optar por viver fora do concelho... e se trabalham fora então já não regressam. Perdemos 1800 habitantes nestes 10 anos... isto não pode continuar". Solução? "A câmara tem muitos terrenos, vamos usá-los, lotear e vender a preço de custo, isentar as pessoas do pagamento das taxas de construção e de licenciamento. E rever também o PDM [plano diretor municipal] que limita muito as zonas de construção", defende.

José Rocha assegura que "não souberam aproveitar os fundos estruturais europeus que permitiam desenvolver o concelho nem sequer aproveitar os recursos que aqui existem: temos quatros rios (Douro, Paiva, Arda e Sardoura) e não existe uma única praia fluvial. Existe um potencial natural para o turismo que é ignorado".

No programa eleitoral, o candidato aponta as linhas estratégias para a mudança: saneamento, emprego, habitação e saúde. E o que fez na área do emprego? "Nada, nos últimos anos não se fez nada para fixar novas empresas, nada se fez pelas cá estão, nada se fez pela promoção do emprego". E o mesmo, garante, aconteceu na área social. "Em 12 anos, apenas 1,6% do orçamento" foi aplicado na ação social, saúde e apoio sénior.

Entre as várias medidas anunciadas, José Rocha defende a desagregação das freguesias de Sobrado, Bairros, Raiva, Pedorido e Paraíso porque não "se provaram os previstos benefícios da reorganização territorial".

José Manuel Carvalho, candidato socialista, que garante já haver "30 milhões de euros alocados para habitação social, novos bairros sociais, 200 novas habitações com fundos garantidos", recorda a "herança social-democrata deixada por Paulo Teixeira, 18 milhões de dívida. Sabe qual era o prazo de pagamento aos fornecedores? 517 dias! Não havia empreiteiro que nos fiasse um prego. Tivemos que reverter, por completo, toda esta situação, acabar com o caos governativo. O resultado está à vista: a câmara já tem capacidade de endividamento".

"Sabe o que havia antes? Olhe um exemplo: fizeram umas obras que custaram 200 e tal mil euros. Só que não pagaram nada. Nós tivemos que pagar só em juros 300 e tal mil... já viu a quanto ficaram as obras?", questiona.
"Os eixos essenciais" do atual vereador são em tudo semelhantes aos do PSD: habitação, saneamento, emprego e apoio social, área onde considera que a autarquia "não poupou esforços".
"Nos últimos 12 anos devolvemos a esperança e a confiança aos Paivenses. Com muito empenho, projetamos um futuro melhor para Castelo de Paiva. O nosso município atingiu a estabilidade financeira e, finalmente, as contas públicas estão em ordem. Estabelecemos como prioridade as pessoas, os Paivenses", afirma.

Manuel Rodrigues, candidato da CDU, que quer "pôr fim a um ciclo de 12 anos de prepotência e de violação de direitos", defende compromissos de luta: "exigência de mais clínicos para todas as valências de saúde do concelho para resolver o problema de centenas de Paivenses que não têm médico de família, o agendamento mais rápido de consulta já demora mais de 4 meses", "disponibilizar aos jovens loteamentos de baixo custo para construção de habitação, evitando o despovoamento do concelho que recuou quase 40 anos"e a "adesão do concelho à Área Metropolitana do Porto e ao Geoparque de Arouca" são algumas das propostas.

O candidato da CDU sublinha a necessidade de se acabar com "comportamentos e atitudes difamatórias e antidemocráticas" e com o " inconstitucional princípio de que "só os eleitos é que têm o direito de fazerem propostas"".
Vítor Quintas, candidato pelo MPM [Mudar para Melhor], que está "completamente desiludido com o PS", diz que basta "olhar para os concelhos vizinhos para se perceber que Castelo de Paiva estagnou".

"Não reclamam nada do poder central. Quando o Passos Coelho era primeiro-ministro até marchas lentas faziam por causa da ligação a Canedo. Desde que passou a ser o António Costa não fazem nem dizem nada. Estão manietados pelo partido, as reivindicações cessaram", garante.

O candidato apresenta oito ideias-chave porque o concelho "nunca esteve como está": turismo, acessibilidade e mobilidade, educação e ação social, qualidade de vida e ambiente, política de proximidade, economia e desenvolvimento social, cultura e desporto e habitação e urbanismo.

Ricardo Jorge, candidato pelo UCPT (Um Concelho Para Todos), avalia de forma "negativa, muito negativa" a gestão socialista, nos últimos 12 anos, dizendo que "teve impacto claro, evidente no concelho. Investimento produtivo público? Não há, não encontramos. Foi gasto dinheiro noutras coisas. A remodelação do Largo do Conde custou um milhão de euros, por exemplo. Gastam dinheiro nestas coisas quando há gente sem água canalizada, sem saneamento básico, quando há condutas de água a rebentar por todo o lado. Gastam no que não é prioritário". O candidato promete "medidas concretas e objetivas", nomeadamente na área da habitação, mas deixa um alerta: não pode e não deve deve ser entendida, sempre, como habitação social".

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