Ventura cola PAN ao PS e Inês Sousa Real o Chega ao desprezo pelo Ambiente

O líder do Chega acusou o PAN de ser "a muleta de 2022", que pode cair para o lado do PS ou do PSD. A líder do PAN tentou demonstrar que o Chega é um partido sem qualquer projeto de proteção do ambiente e dos mais pobres.

"O PAN devia ir em coligação com o PS", disparou André Ventura, no debate desta tarde de sexta-feira, na SIC Notícias e que o apôs a Inês Sousa Real. O líder do Chega aproveitou o facto de no dia anterior António costa, no frente a frente com Rui Rio, ter eleito o PAN como o parceiro mais credível para uma coligação pós eleitoral. Ventura esteve sempre ao ataque a tentar colar Inês Sousa Real aos socialistas e reforçou várias vezes a ideia de que "todos os orçamentos do PS" foram aprovados pelo PAN.

Inês Sousa Real esteve sempre mais à defesa a justificar o porquê do apoio ao Orçamento de Estado para 2022 com a ideia de que "somos um partido responsável". Mas também atacou, sobretudo a falta de medidas do Chega no que diz respeito às alterações climáticas. "O Chega tem zero medidas para o Ambiente. Tem zero medidas para a proteção animal".

A líder do PAN reiterou que só após 30 de janeiro é que o partido fará a avaliação de potenciais coligações ou apoio parlamentar, sem nunca ter descartado que também se poderá aliar ao PSD, caso o partido de Rui Rio ganhe com maioria relativa. E rejeitando ter "medo" se ser penalizada nas urnas pela falta de posicionamento do seu partido, garantiu, "há linhas vermelhas". No PSD, identificou a " "eucaliptização para o país, proteção animal e o retrocesso da tutela da DGAV" e no PS afirmou que tem de ser "mais ambiciosos no que respeita à retoma sócio-económica", que os fundos europeus têm de ser geridos de forma transparente e "acabar com borlas fiscais para industria petrolífera".

Confrontado com as 100 medidas de governo apresentadas esta semana, depois de ter sido acusado de ter um programa eleitoral de nove páginas, André Ventura garantiu que é a concretização das medidas que já estavam previstas. E voltou a disparar contra a adversária. "Dá jeito ao PAN ser a muleta de 2022", disse e acusou o partido de ser responsável, com o PS por haver em Portugal "a maior carga fiscal da Europa e a quinta eletricidade mais cara". Ideias em que insistiu várias vezes.

André Ventura tentou virar o jogo sobre a acusação de Inês Sousa Real de não ter propostas para o Ambiente: "É importante combater alterações climáticas mas não o podemos fazer à custa das pessoas e da economia. A única coisa que o PAN sabe fazer é criar mais impostos para as pessoas e para as empresas. É taxar, taxar, taxar". Recordou que o PAN votou contra a redução do IVA da eletricidade e que "o seu programa só quer proibir, quer tornar-nos a todos vegetarianos". O PAN, afirmou, "qualquer dia torna-se na maior ditadura da Europa ocidental".

A líder do PAN procurou apoiar-se nas propostas para os mais carenciados. Lembrou que foi pela mão do seu partido que foi criada a tarifa social de energia, que chega a 800 mil famílias. Uma medida que considerou "responsável do ponto de vista social e ambiental". Aliás, a palavra "responsável" foi a chave da sua mensagem política neste e noutros debates em que participou. Insistiu ainda na necessidade de acabar com as "borlas fiscais" às indústrias poluentes e mencionou expressamente a EDP e a Galp.

"Estamos contra tudo o que seja aumentar impostos em Portugal", respondeu Ventura, apelando à carga fiscal sobre a classe média, que tem de suportar 60% do preço do gasóleo e da gasolina em impostos. Inês Sousa Real ripostou com a realidade de 230 mil pessoas em Portugal em risco de pobreza. "O PAN defende que tem de haver maior justiça fiscal e não borla fiscal".

E depois de ter sido também acusada pelo líder do Chega de querer "proibir, proibir", entre outras coisas as touradas e a caça e de querer "matar o mundo rural", Inês Sousa Real trouxe ao debate a famosa coelha de Ventura, de nome Acácia. "Aceita que se matem coelhos bravos à paulada, no nosso país é possível matar uma Acácia à paulada", disse. Ventura ripostou: ""Não gostará mais de animais do que eu, gosto muito de animais, há quem diga que sou louco por animais."

André Ventura teve também de explicar o facto de ter inscrito no programa eleitoral do Chega a proposta de trabalho comunitário obrigatório para quem aceda ao subsídio de desemprego. Explicou que apenas se destina "às prestações não contributivas", como o RSI.

O debate terminou com o líder do Chega a lembrar que o PAN afastou uma deputada, no caso Cristina Rodrigues, por "dizer a verdade" sobre as pessoas de etnia cigana "tratarem mal os cavalos". E a líder do PAN a garantir que "somos a favor de uma sociedade inclusiva e de respeito, não somos nem xenófobos nem misóginos".

"A forma como o Chega trata as mulheres na política nem sequer ter lugar na vida pública é uma mundivisão do século passado. "Respeitamos de forma inclusiva todas as comunidades. Repudiamos os maus tratos a animais seja de que comunidade for, incluindo do homem branco que vai para a praça de touros torturar um animal e ainda quer elevar isso a cultura", rematou Inês Sousa Real.

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