Rui Rio reeleito líder do PSD. Rangel promete "lealdade" e pede "unidade"

Contrariando as expectativas geradas no início do processo eleitoral, Rui Rio foi ontem reeleito presidente do PSD, por 52,5 por cento contra 47,5 para Paulo Rangel

João Pedro Henriques
Vitórias importantes no Porto ou em Braga contribuiram decisivamente para a vitória de Rui Rio, ontem, nas diretas do PSD© JOSÉ COELHO/LUSA

Pelas 21:50 de ontem, Paulo Rangel assumiu a derrota nas diretas do PSD. Estavam nessa altura contabilizados mais de metade dos votos dos 46664 eleitores registados. Nessa altura, Rui Rio liderava por escassa margem (50,88% contra 49,12%) mas depois a vantagem foi-se reforçando, nomeadamente com vitórias importantes no Porto (59,32% contra 40,68%) e em Braga (56,19% contra 43,81%).

Às 22.35, faltando apenas 20 secções por apurar (num total de 318), Rio liderava com 52,34% (17564 votos) e Rangel tinha 47,66% (15 992 votos). Tinham votado 33556 militantes (dos 46664 registados) e a abstenção apontava para valores na ordem dos 21 por cento.

"Estou disponível mas só com quem quer fazer unidade. Já aprendi que muitos dizem que querem unidade mas depois não querem unidade nenhuma."

Rui Rio celebrou a vitória pelas 22.20, começando de imediato a disparar para dentro. Esta foi - disse - "a vitória dos militantes de base" contra os dirigentes, "que têm de se ligar mais aos militantes": "Grande parte do apoio dos dirigentes foi mais a pensar nos seus interesses pessoais e não nos interesses do PSD", disse.

Quanto à unidade interna, deixou o aviso: "Estou disponível mas só com quem quer fazer unidade. Já aprendi que muitos dizem que querem unidade mas depois não querem unidade nenhuma."

No discurso de assunção da derrota, Rangel escusou-se a fazer a análise dos resultados. Preferiu salientar que agora é "muito importante que todo o partido esteja unido" em torno do presidente reeleito no confronto das eleições legislativas de 30 de janeiro.

Prometeu "lealdade" a Rio, assegurou que continuará eurodeputado e destacou salientou também que, "como sempre disse", este processo eleitoral permitiu "reforçar a legitimidade do líder do PSD", destacando a utilidade desse facto para a campanha das legislativas.

A eleição decorreu em todo o país entre as 14.00 e as 20.00 e, a partir do fecho das urnas, a secretaria-geral do PSD disponibilizou a evolução dos resultados em tempo real, no site no partido.

Na sede nacional do partido, em Lisboa, uma equipa recebeu os resultados de todas as 318 secções onde existiram mesas de voto, lançando-as no portal de resultados, sendo esta a segunda vez que o PSD disponibiliza os resultados das suas eleições diretas em tempo real. A primeira secção com resultados revelados foi a do Gavião, no distrito de Portalegre. Rio venceu Rangel por três votos contra dois.

Os dois candidatos votaram na mesma secção, na sede distrital do PSD-Porto, sendo Paulo Rangel o primeiro, pouco depois das 14.00. "Estou com muita confiança, mas respeito o veredicto dos eleitores", afirmou o eurodeputado aos jornalistas. Mais tarde, rumou a Lisboa, acompanhando a evolução dos resultados num hotel.

Rui Rio exerceu o seu direito de voto uma hora mais tarde, pelas 15.00 - mas, como de costume, preferiu ficar no Porto. "Naturalmente, uma vez que sou candidato, o que espero é ganhar estas eleições", dizia então.

Antes das eleições de ontem já se tinham realizado nove eleições diretas no PSD, a primeira das quais em maio de 2006. Marques Mendes ganhou uma vez, Luís Filipe Menezes outra (2007), Manuela Ferreira Leite também uma vez (2008), Pedro Passos Coelho quatro (2010, 2012, 2014 e 2016) e Rui Rio agora três vezes (2018, 2020 e 2021), a primeira contra Pedro Santana Lopes e a segunda contra Luís Montenegro e agora contra Paulo Rangel.

joao.p.henriques@dn.pt