Marcelo adia viagem a Quelimane, mas Município quer Gouveia e Melo

Marcelo Rebelo de Sousa já não vai neste mês a Quelimane, Moçambique, cidade que na próxima semana comemora o 79º aniversário. O Presidente do Município, Manuel Araújo, desconhecia o adiamento, mas mantém convite ao conterrâneo Gouveia e Melo

Valentina Marcelino
O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa | foto António Pedro Sousa / Lusa
O Chefe de Estado-Maior da Armada | foto Reinaldo Rodrigues / Global Imagens

O Presidente da República adiou a sua visita a Quelimane, que tinha previsto para este mês quando, em março passado, visitou aquele país em visita oficial.

Marcelo Rebelo de Sousa tinha nessa altura manifestado o seu interesse em acolher o convite da Diocese local para acompanhar a reabertura da catedral de Quelimane, recentemente restaurada.

No entanto, questionado na manhã desta quarta-feira pelo DN sobre a data exata da visita e se a comitiva poderia integrar o Almirante Gouveia e Melo, natural daquela cidade e igualmente convidado pelas autoridades locais, o Presidente informou que essa visita tinha sido adiada.

Numa nota depois publicada na página oficial da Presidência, é explicado que "na altura em que foi adiada a Cimeira entre Portugal e Moçambique, em Maputo, e o Presidente da República cancelou a deslocação prevista a uma Cimeira das Nações Unidas, foi ajustado entre os Presidentes Português e Moçambicano que a deslocação a Quelimane, prevista para este mês, seria adiada, também ela, para data a fixar, mas sempre posterior à Cimeira de Maputo".

Na sequência deste adiamento, acrescenta ainda a nota oficial, "o Presidente da República receberá em audiência já pedida, uma delegação da entidade promotora da iniciativa em Quelimane, já no próximo mês de setembro".

Quanto a possível integração na sua comitiva, numa futura deslocação à cidade, do atual Chefe de Estado-Maior da Armada (CEMA), natural de Quelimane e cuja visita tem sido requerida pelo Presidente do Município, Manuel Araújo, para assinalar o aniversário da cidade no próximo dia 21, não é esclarecido.

A possível deslocação de Marcelo e de Gouveia e Melo têm sido comentadas localmente com alguma expectativa. Contactado pelo DN, Manuel Araújo afirmou desconhecer a decisão hoje anunciada.

"Não tenho informação sobre o adiamento da visita do Professor Marcelo Rebelo de Sousa. Convidamos não só o Almirante, que nasceu e cresceu em Quelimane, como também o Presidente da República Portuguesa, o primeiro-ministro António Costa, a deputada Maria Manuel Leitão Marques, entre outras personalidades portuguesas", afirmou.

Na sua página do Facebook, o autarca partilhou uma notícia de um jornal local, no passado dia 4 de agosto, com Gouveia e Melo em grande plano.

No texto com o título "Machuabo (grupo étnico de Quelimane) aclamado novo messias de Portugal", recorda-se o trabalho na coordenação do plano de vacinação contra a Covid-19 e é sublinhada a origem do Almirante, que nasceu naquela cidade a 21 de novembro de 1960.

Questionada a Marinha sobre se o CEMA já respondeu a este convite, lembra que estas deslocações terão de ser autorizadas superiormente, ou seja, pelo Ministério da Defesa Nacional.

Esta seria a quarta visita de Marcelo Rebelo de Sousa, enquanto Presidente da República, a Moçambique, que escolheu como destino da sua primeira visita de Estado, em maio de 2016, circunscrita à capital e arredores, e onde regressou em janeiro de 2020, para a posse de Nyusi após a sua reeleição, ocasião em que, além de Maputo, foi à Beira. Em Março protagonizou uma visita oficial de quatro dias.

Além do pretexto da reabertura da catedral e do aniversário da cidade, também tinha sido equacionada uma deslocação a Cabo Delgado, onde militares portugueses estão a apoiar a luta contra o terrorismo.

Marcelo Rebelo de Sousa conheceu também Moçambique entre os 19 e os 20, em temporadas de férias dos estudos na Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa, durante o mandato do seu pai, Baltazar Rebelo de Sousa, como governador-geral (1968-1970) da então província ultramarina, durante a guerra colonial.