"Afronta" diz direção de Rio. Algumas distritais privilegiam apoiantes de Rangel

Direção diz que não haverá "limpeza étnica" de apoiantes de Rangel, mas assegura que também não "tolera" que as distritais queiram impor só figuras que estiveram contra o líder eleito. Rio vai indicar "os seus" e mexer nas listas.

Não vamos tolerar", garante ao DN uma fonte da direção do PSD perante os nomes escolhidos pelas distritais do partido, sobretudo a de Lisboa e do Porto, para as listas de candidatos às legislativas de 30 de janeiro. Isto porque aquelas estruturas, cujos presidentes estiveram ao lado de Paulo Rangel nas diretas, privilegiaram quem apoiou o eurodeputado nas eleições internas e deixaram de fora alguns dos mais destacados apoiantes de Rui Rio.

"Estamos disponíveis para integrar alguns nomes que não estiveram com Rui Rio, mas isto é uma afronta", sublinha a mesma fonte, que se mostra "consciente" que as listas terão de passar pelo crivo do Conselho Nacional, já no dia 7 de dezembro (ou 10 se forem chumbadas). Destaca, entre outros, os nomes de Ricardo Batista Leite e de Isabel Meirelles, dois deputados e vice-presidentes do partido, que foram esquecidos na lista apresentada pela distrital de Lisboa, liderada por Ângelo Pereira. O mesmo aconteceu com o nome de Joaquim Sarmento, presidente do Conselho Estratégico Nacional do partido.

Nesta lista, repetem-se nomes de deputados apoiantes de Paulo Rangel como Carlos Silva ou Sandra Pereira, e apresenta-se o de Rodrigo Gonçalves, que se afastou de Rui Rio, de quem foi apoiante na primeira eleição em 2018, tendo depois apoiado Luís Montenegro em 2020.

Já na lista avançada pela distrital do Porto, estão incluídos os nomes dos deputados e presidente da distrital, Alberto Machado, e do ex-líder da concelhia de Gaia Cancela Moura, que também foram apoiantes de Paulo Rangel. E de fora ficaram nomes de atuais deputados e que integram ou apoiaram a atual direção, como os do secretário-geral Hugo Carneiro ou da deputada e "vice" da bancada Catarina Rocha Ferreira.

À Lusa, outra fonte do PSD dizia estranhar ainda que se proponham nomes como o dos presidentes das distritais de Faro, Cristóvão Norte, de Setúbal, Paulo Ribeiro, ou de Viseu, Pedro Alves, todos apoiantes declarados de Paulo Rangel. "O que é comum às listas já apresentadas é uma estratégia de afrontamento, apresentando-se nos primeiros lugares apoiantes de Paulo Rangel e até se excluindo os apoiantes do presidente Rui Rio", aponta-se.

A mesma fonte salienta que, em entrevistas recentes depois de vencer as diretas, Rui Rio já referiu que "a competência e a lealdade" seriam critérios para a elaboração das listas". Sendo que a escolha dos cabeças de lista é da tutela da direção nacional.

"Não vai haver nenhuma limpeza étnica, mas há pessoas que não são integráveis. Claramente disseram que não se reviam na estratégia, porque querem entrar agora?", questionou a mesma fonte à Lusa.

Há entre os apoiantes de Paulo Rangel quem pense que os presidentes das distritais que apoiaram Rangel e viram Rio ganhar nos seus distritos deveriam tirar ilações e serem excluídos das listas. Mas a verdade é que Rui Rio tem de fazer aprovar o conjunto de listas no Conselho Nacional, em que os presidentes das distritais têm direito de voto. "Estamos atentos a isso", assegurou a mesma fonte da direção, mas com a convicção que o líder tem legitimidade, dada pelo resultado nas urnas, para conseguir impor a sua vontade, desde que "haja equilíbrio e bom senso". "Não vamos integrar pessoas que não têm competência e só lá estão nas listas porque querem os lugares", frisou.

Quem veio rejeitar a ideia de "afronta" à direção foi a distrital do Porto, alegando que o processo ainda "vai a meio". "As listas ainda não estão completas, ainda falta o doutor Rui Rio indicar os seus", disse ontem à Lusa fonte da distrital social-democrata do Porto. Foi entregue à Comissão Política Nacional (CPN) uma lista que resulta da indicação de dois nomes (um homem e uma mulher) que cada concelhia, e as estruturas distritais da JSD, do PSD e da TSD, apontam, que é depois reunida "numa lista, por ordem alfabética, e é enviada para a CPN", esclareceu.

Sobre as críticas de "afrontamento" tecidas pela própria direção do partido, em paralelo com as vertidas numa petição pública que conta mais de 130 assinaturas e pede a "avocação do processo de elaboração das listas de candidatos a deputados do PSD pelo distrito do Porto pela Comissão Política Nacional do Partido", a fonte garante que não correspondem à verdade.

"A maioria das estruturas apoiou Paulo Rangel, quando as estruturas [concelhias] indicam os nomes, é natural que indiquem nomes que lhes sejam afetos. É normal que esteja a acontecer assim, mas não é regra", justifica a distrital do Porto, garantindo que, "na lista do Porto, há muita gente que apoia o doutor Rui Rio". A mesma fonte acrescentou que é normal que, após a reunião da CPN, sejam indicados pela direção nomes afetos a Rui Rio, que poderão figurar em posições cimeiras nas listas.

Na terça-feira reúne-se a Comissão Política Nacional e serão conhecidas as decisões da direção laranja, pouco tempo antes do Conselho Nacional marcado para Évora para aprovar as listas que têm de ser entregues nos tribunais de comarca até 20 de dezembro.

paulasa@dn.pt com Lusa

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