A Comissão Nacional do Partido Socialista ratificou no fim de semana as eleições diretas para o cargo de secretário-geral para 13 e 14 de março e o Congresso Nacional para o último fim de semana desse mês, a 27, 28 e 29, em Viseu. Por necessidade estatutária, José Luís Carneiro teria de ver eleições internas, mas o presidente do PS, Carlos César, disse no sábado não esperar oposição interna, algo que o Diário de Notícias noticiou na semana transata (ver aqui).Até 26 de fevereiro, haverá a possibilidade de se apresentarem listas a secretário-geral, o que, nesta fase, não se afigura provável. Miguel Prata Roque, um dos mais perfiláveis ao cargo, reconheceu-o em conversa com o nosso jornal. “Mais do que uma questão de existir ou não uma pacificação interna, era preciso haver uma grande divergência sobre a orientação política do Partido Socialista para que tivesse de haver uma disputa eleitoral. Neste momento, não vejo que haja grande divergência relativamente ao rumo para o país, porque todo o PS quer contas públicas saudáveis, devolução de rendimentos às famílias, através de redução de impostos e aumento dos salários, ou a melhoria dos serviços públicos”, declara o jurista e professor universitário, asseverando: “Portanto, a não ser que haja uma luta de galos de alguém que queira, neste momento, chegar ao poleiro, ou que exista uma divergência quanto à personalidade do secretário-geral, acho que o PS devia refletir era sobre o porquê de não estar a conseguir atrair o eleitorado mais jovem e os trabalhadores que têm rendimentos mais baixos”.É para o futuro que o ex-secretário de Estado da Presidência do Conselho de Ministros de António Costa olha e é, nesse sentido, que tece críticas a Carneiro. “Sou crítico da liderança porque ainda não teve a capacidade de apresentar o país definitivo. Está permanentemente a justificar-se, mas isso é normal quando um partido sai do Governo. Já não chega, não vale a pena estar a defender o que foi feito. São precisas é novas medidas, por exemplo quando se diz que se vai defender o SNS temos de responder às valências que queremos nos hospitais públicos, as especialidades que queremos ter e não temos. Ainda vejo pouca propositura. Estou convencido que com o tempo isso acontecerá”, refere ao DN.O socialista denota preocupação por “no eleitorado menos instruído”, o PS “não estar a conseguir explicar às pessoas qual a vantagem das políticas sociais democratas”, relembrando que “em nove anos duplicou-se o salário mínimo”. A esse lamento por transferência de votos para o Chega, acrescenta que “o PS precisa de chegar aos jovens” e que deve explicar “que não é por haver muitos impostos sobre as empresas que os salários não sobem”, um argumento que diz ser da “direita liberal”. “Muitos jovens ainda não têm de recorrer ao serviço público de Saúde, a taxa de desemprego é baixa, logo não pensam nos subsídios nem nas pensões ou na Segurança Social”, aponta, referindo que medidas como a “Creche Feliz” ou os manuais escolares gratuitos devem ser tidos como políticas que retomem a proximidade do PS com os jovens. .José Luís Carneiro faz meio ano de liderança do PS e vê pacificação interna