José Manuel Pureza explicou ao DN o seu perfil como novo líder do Bloco de Esquerda.
José Manuel Pureza explicou ao DN o seu perfil como novo líder do Bloco de Esquerda.Gerardo Santos

José Manuel Pureza ataca pacote de lei laboral: "A intransigência da ministra é a intransigência do Governo"

Coordenador do Bloco de Esquerda reuniu com a CGTP e lamenta "obsessão ideológica" de Luís Montenegro. Defende que sindicatos e partidos devem estar unidos no combate à proposta.
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O Bloco de Esquerda prioriza na sua ação política atual a mobilização coletiva para combater o pacote laboral apresentado em julho pelo Governo. Nesse sentido, José Manuel Pureza reuniu esta segunda-feira, durante cerca de 1h30, com Tiago Oliveira, secretário-geral da CGTP.

"Passaram 26 dias sem o Governo abdicar do pacote laboral. Quisemos conversar com a CGTP pela luta em curso, que é tão importante quanto ao direito de quem trabalha, quanto ao tempo para ser pai e ser mãe e trabalhar, tal como a procura de neutralizar a precariedade. Encorajamos, evidentemente, um grande patamar de convergência de posições porque o Bloco de Esquerda entende que a luta laboral é de importância essencial neste momento", explicou aos jornalistas na primeira intervenção, realçando que a greve geral fez uma "mudança da agenda política" porque o país "deixou de falar de burcas e passou a discutir direitos do trabalho."

O coordenador do Bloco de Esquerda recusa personificar em Maria do Rosário Palma Ramalho a reivindicação, refuta pedir demissões, inclusivamente, porque acha que é uma linha definida por Luís Montenegro: "Há uma estratégia por parte do Governo para consumar um ataque de força inédita ao mundo do trabalho. A intransigência da ministra do Trabalho é a intransigência do Governo. Nós não estamos a ter aqui uma luta que seja personalizada especificamente com um membro do Governo. É a estratégia do Governo, que se move por pura obsessão ideológica. Não há nenhuma justificação. No mesmo momento em que o Governo propôs estas alterações tão gravosas à Lei do Trabalho, o mesmo Governo orgulhava-se de notícias saídas na imprensa internacional sobre a robustez e o crescimento da economia portuguesa. Não podemos aceitar que a grande maioria do país, que é o país que trabalha, seja vítima de uma pura teimosia ideológica por parte do primeiro-ministro."

Para José Manuel Pureza é preciso trabalhar coletivamente. Partidos e sindicatos, para rebater o pacote laboral. Deixa a ideia de ter pedido à CGTP para não deixar cair exigências. "É muito importante que haja determinação por parte das centrais sindicais, por parte dos partidos políticos, por parte da sociedade em geral, para derrotar esta estratégia. Foi isso que conversámos, digamos. E preocupa-me que a Ministra esteja disposta, talvez de alguma forma, a não ter um apoio na concertação social para levar este pacote avante", atalhou o coordenador do Bloco de Esquerda.

Confrontado com o apoio a António José Seguro na segunda volta das Presidenciais, Pureza referiu esperar que o socialista apresente o "repúdio" à proposta se esta chegar assim a Belém. O candidato já deu essa garantia. "Entendemos que um Presidente da República que jure cumprir e fazer cumprir a Constituição só pode ter uma atitude de repúdio perante o pacote laboral, porque vai contra a essência de direitos sociais fundamentais. E, portanto, queremos acreditar que haja coerência nesse aspecto. O que nós temos de fazer como partido político é estar ao lado de quem luta. E estamos convictos de que, quanto mais forte for essa luta, mais sensibilidade haverá por parte de quem ocupa as posições de responsabilidade no Estado", declarou.

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