Primeiro-ministro quinta-feira no parlamento oito dias depois do previsto
MANUEL DE ALMEIDA/LUSA

Primeiro-ministro quinta-feira no parlamento oito dias depois do previsto

Debate quinzenal que deverá centrar-se na resposta do Governo às consequências do mau tempo e que foi adiado por duas vezes na semana passada.
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O primeiro-ministro regressa na quinta-feira ao parlamento para um debate quinzenal que deverá centrar-se na resposta do Governo às consequências do mau tempo e que foi adiado por duas vezes na semana passada.

A discussão parlamentar esteve inicialmente marcada para a passada quarta-feira, dia 11, mas o anúncio na véspera à noite da demissão da ministra da Administração Interna, Maria Lúcia Amaral, - cujas competências foram assumidas transitoriamente pelo primeiro-ministro - levaram ao adiamento do debate: primeiro para sexta-feira e, depois, face ao agravamento das condições meteorológicas na zona Centro, para esta quinta-feira.

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Dezoito pessoas morreram em Portugal na sequência da passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta desde 28 de janeiro, que provocaram também muitas centenas de feridos e desalojados.

O Governo decretou situação de calamidade nos 68 concelhos mais afetados, que vigorou desde 29 de janeiro até domingo, e aprovou um pacote inicial de apoios que o primeiro-ministro calculou ter um valor global de 2,5 mil milhões de euros, e que incluía ajudas à subsistência e à reconstrução de habitações e fábricas destruídas, bem como linhas de crédito. Mais tarde, foi anunciada a isenção de portagens em alguns trechos de autoestradas das zonas afetadas, que já terminou.

Na semana passada, o primeiro-ministro anunciou que começou a ser preparado o que chamou de PTRR – “um programa de recuperação e resiliência português” -, que abrangeria todo o território para apoiar a reconstrução e a economia e atuar sobre “as infraestruturas mais críticas”, como rodoviárias, ferroviárias, de abastecimento de energia elétrica, de abastecimento de água, de serviços públicos.

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“Nós temos pela frente um desafio enorme nos próximos anos de podermos recuperar e também de nos tornarmos mais resistentes para uma eventual repetição deste ou de outros fenómenos com igual gravidade”, disse Montenegro, sem detalhar o valor deste programa nem como seria financiado.

Na segunda-feira, em Bruxelas, o ministro das Finanças, Joaquim Miranda Sarmento, afirmou que ainda não existe uma avaliação do prejuízo total causada pelo tempo e referiu que a prioridade do Governo é a reconstrução do país, mas insistindo no equilíbrio orçamental – depois de o ministro da Economia, Castro Almeida, ter admitido a possibilidade de défice para dar resposta à crise.

Um dia depois, Sarmento disse ter obtido aval da Comissão Europeia para flexibilidade orçamental nas despesas com os apoios do Estado devido ao mau tempo para que não contem para o cumprimento das regras orçamentais da União Europeia (UE).

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A ministra da Administração Interna - que até ao início da tarde desta quinta-feira ainda não tinha sucessor anunciado - foi o alvo preferencial das críticas da oposição, mas estas estenderam-se a outros membros do executivo na gestão da crise, como o ministro da Presidência, António Leitão Amaro, o da Defesa Nacional, Nuno Melo, ou o da Economia e da Gestão Territorial, Manuel Castro Almeida.

O debate quinzenal abrirá com uma intervenção de Luís Montenegro, e André Ventura será o primeiro a questionar o chefe do Governo, seguindo-se PS, IL, Livre, PCP, BE, PAN, JPP, antes das bancadas que suportam o Governo, CDS-PP e PSD.

Quer Chega quer PS já acusaram o Governo de falhar no apoio às populações afetadas pelas recentes tempestades e defenderam que a situação de calamidade deveria ter sido prolongada.

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Este será também o primeiro debate quinzenal após a eleição do novo Presidente da República, o antigo secretário-geral do PS António José Seguro, que venceu com 66,83% (e mais de 3,5 milhões de votos) na segunda volta, conttra André Ventura, que obteve com 33,17% (1,7 milhões), resultados que levaram o presidente do Chega a autointitular-se “líder da direita”.

Já o primeiro-ministro defendeu que “nada mudou” para a governação que se abre um período de 3,5 anos sem eleições nacionais, referindo-se ao final previsto da legislatura, outono de 2029.

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