Sargento acusado de importúnio sexual foi punido há 19 anos por caso parecido

Marinha tem em curso um processo disciplinar contra um sargento que há 19 anos esteve envolvido num caso da mesma natureza.

O sargento da Marinha sob investigação pela alegada prática de importunar sexualmente um candidato ao curso de praças esteve envolvido, há 19 anos, num caso que aparenta ter a "mesma natureza", disse esta terça-feira fonte oficial ao DN.

O porta-voz da Marinha, comandante Pereira da Fonseca, escusou-se a dar outros pormenores do processo instaurado em 2000 contra o referido militar, alegando ter "caráter confidencial".

Instado a confirmar detalhes obtidos junto de outras fontes do ramo, sob anonimato por não estarem autorizados a falar e face à delicadeza do caso, Pereira da Fonseca recusou responder porque "o processo é classificado".

Segundo soube o DN, o sargento em causa estava então colocado no Hospital da Marinha e foi punido com "uma carrada de dias" - além da mudança de unidade e limitação de contactos a militares dos quadros permanentes, daqui decorrendo que a potencial vítima terá sido igualmente um civil.

O sargento está desde então colocado no Laboratório de Análises Fármaco-Toxicológicas, situado nas instalações navais de Alcântara onde, na passada quinta-feira, ocorreu o caso de alegada "importunação sexual" sobre um candidato (maior de idade) que ali estava a pernoitar durante a fase de testes.

A PJ Militar (PJM) está a investigar o caso, onde está colocada perante posições contraditórias do militar e do jovem candidato.

Sobre este caso, o porta-voz da Marinha disse que o ramo "fez tudo o que tinha a fazer" ao dar apoio imediato ao jovem candidato "com duas psicólogas" e comunicou o ocorrido à PJM.

Sargento apanhou vários dias de prisão há 19 anos, ficou proibido de contactar civis e foi transferido de unidade

Acresce que esse sargento foi "impedido de contactar" quaisquer candidatos que estejam a prestar provas nas instalações de Alcântara, insistindo que o militar "não pode entrar em contacto" com os jovens, frisou o comandante.

Pereira da Fonseca adiantou estar "já em curso" a revisão - mesmo antes de concluído o processo disciplinar sobre o que ocorreu e de que não há testemunhas - dos "mecanismos de apoio, acompanhamento e coordenação das atividades" em que participem os candidatos.

Nas instalações navais de Alcântara, onde se situa a divisão de pessoal da Marinha, realizam-se os exames médicos e as provas psicotécnicas e psicométricas. Quanto às provas físicas são feitas na base naval de Lisboa ou na Escola de Fuzileiros.

Pereira da Fonseca enfatizou que essa revisão visa encontrar "possíveis melhorias" nesse acompanhamento dos candidatos por monitores e instrutores do centro de recrutamento da Marinha e que, em princípio, pretende assegurar que os jovens nunca ficam sozinhos.

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