CDS-PP considera "graves e preocupantes" anomalias nas viaturas da GNR

O CDS-PP considerou hoje "graves e preocupantes" as anomalias nas novas viaturas de combate a incêndios da GNR, avançando que são "mais uma prova da forma incompetente" como o Governo geriu esta época de fogos.

"Estes factos são graves e preocupantes porque são mais uma prova da forma incompetente como o Governo geriu esta época de incêndios", disse à agência Lusa o líder parlamentar do CDS-PP, Nuno Magalhães.

Sublinhando que o CDS-PP vai pedir esclarecimentos ao Ministério da Administração Interna (MAI) sobre a prontidão e segurança dos novos veículos de combate a incêndios do Grupo de Intervenção de Proteção e Socorro (GIPS) da GNR, Nuno Magalhães precisou que "o Governo falhou todos os prazos" e "compromissos em matéria de aquisição e prontidão do material".

As declarações de Nuno Magalhães surgem após o jornal Expresso noticiar que dezenas das novas viaturas ligeiras ao serviço do GIPS da GNR estarem com anomalias, impedindo-as de serem usadas no combate aos fogos, uma vez que um problema nas motobombas leva que a água lançada pela mangueira dificulte a extinção do incêndio e expõe os militares a mais perigos.

Governo desmente

Entretanto, o MAI desmente em comunicado "qualquer anomalia nas viaturas" e o secretário de Estado da Proteção Civil, José Artur Neves, assegurou, em declarações aos jornalistas, que todos os veículos "estão operacionais" e distribuídos pelo terreno a nível nacional.

Para o deputado do CDS-PP, "é preciso que a resposta seja clara e cabal".

"O ministro não se deve esconder numa nota de imprensa, o ministro deve falar ao país, esclarecer se realmente estes veículos estão ou não prontos para o combate e se são ou não seguros para os elementos da GNR", sustentou ainda.

Também o presidente da Associação dos Profissionais da Guarda (APG/GNR) confirmou à Lusa anomalias nas novas viaturas relacionadas com as motobombas, adiantando que esta situação foi transmitida pelos próprios elementos dos GIPS, que detetaram o problema quando os carros estavam já distribuídos pelos centros de meios aéreos, locais onde estão instalados os elementos desta unidade especializada de combate aos fogos

César Nogueira referiu que as viaturas com problemas nas motobombas foram recolhidas pela empresa fornecedora e, até ao momento, ainda não foram devolvidas.

O presidente da associação mais representativa da GNR sustentou que deu conta ao comandante-geral da GNR, durante uma reunião realizada na quinta-feira, dos problemas das viaturas e da falta de condições com que os elementos do GIPS estão a trabalhar.

Além das carências nos centros de meios aéreos, a APG refere que os militares do GIPS tem apenas um equipamento de proteção individual para combater fogos, quando o estipulado são três.

Em comunicado, o MAI adianta que este ano foram entregues à GNR todos os 88 veículos ligeiros de combate a incêndios e seis pesados de um lote de 16, sendo os restantes 10 entregues no início de agosto.

Segundo o MAI, todas as viaturas entregues já se encontram empenhadas na atividade operacional do GIPS e estão "plenamente operacionais".

O Ministério tutelado por Eduardo Cabrita sustenta também que os contratos das viaturas do GIPS são celebrados entre a GNR e fornecedores e preveem penalidades para situações de incumprimento.

O MAI garante ainda que todos os centros de meios aéreos estão "plenamente operacionais com meios aéreos e terrestres", estando todas as necessidades e melhorias identificadas a ser supridas no âmbito da Lei de Programação de Infraestruturas e Equipamentos para as Forças e Serviços de Segurança.

Em maio, num email interno, o comandante do GIPS alertava para a falta de meios necessários e básicos, como luvas, fatos, telemóveis, carros ou computadores para trabalhar no combate aos incêndios, bem como de condições nos centros de meios aéreos.

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